31 de dezembro de 2009

Beyoncé - Naughty Girl (Oli Chang Cinematic Remix)


Uma descoberta do trabalho de uma mulher talentosa que estará no Brasil em fevereiro, em quatro capitais do país: Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Descubri o remix interessantíssimo, neste mês de dezembro, por indicação de um contato da rede LastFM. O clipe é uma obra prima da música pop contemporânea norteamericana.
Quem sabe nos encontraremos no Morumbi... Meu presente de fim de ano para quem não viu a fantástica perfomance com novo arranjo, que não está no Youtube.
Beijo, se joga em 2010!

2010 pode ser diferente e melhor

Não, eu não sou baiano, tampouco nasci na Paraíba.
Eu sou de Alagoas, terra por onde desembarcou, quando chegou ao Brasil, Clarice Lispector, pelo Porto de Jaraguá; Estado cujos ilustres Paulo Gracindo, Pontes de Miranda, Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira, entre outros anônimos remetem suas raízes.
Quero salientar que o ex-presidente Fernando Collor de Mello não é alagoano, apesar de radicado ali por muito tempo e, hoje em Brasília, é senador por nosso Estado.
Há muito mais a saber sobre Alagoas, a fim de que não se cometa certos deslizes em qualquer diálogo que se comente naturalidade ou referências geográficas, coisa que qualquer bairrista ou brasileiro prepotente faz questão de insinuar quando perpetua sua crítica apenas com o fundamento regional e desprezível.
Ah, eu nasci em Alagoas e não vim do Norte, senão da Região Nordeste; na capital Maceió, onde não há seca, visto que está distante do Sertão.
Estou numa terra onde a vida é quase sempre cinza, com chuva fina, dias sem muita cor natural nem graça; onde o país parece mais rico e que compra com este dinheiro cores artificiais para ornamentar e ostentar seu poder.
São Paulo é a terra onde celebrarei mais um ano que se passa e darei boas-vindas ao novo ano, cheio de expectativas. Terra de oportunidades para muitos, que vieram de outras regiões do País ou emigraram de outras nações em busca de um lar, ou lugar melhor.
O tempo aqui parece correr mais rápido, a pressa não pode ser inimiga de absolutamente nada, porque o entorno permanentemente vislumbra perfeição. Gente que não há de se incomodar com a desatenção ou egoísmo, porque poucos têm tempo de parar e ouvir. Algo que me faz pensar numa insensibilidade pandêmica, porque conheci muitos que não estão preocupados com feridas sociais. Até pessoas que não nasceram aqui, já vi que estão contaminadas pela vida moderna que se leva a ansiar a etiqueta de uma grife bacana, a tecnologia para permitir o tempo mais célere e o lazer que se enche a boca esnobar sempre o pódio às custas de mãos que transcendem naturalidade paulista.
O trânsito estressa muito mais do que a capital que nasci; o passeio é mais caro e se paga a cada minuto o preço de viver em uma metrópole. Meus extratos bancários hão de fazer me lembrar das experiências que paguei pra ver. Só não quero surtar!
Alguns meses aqui já me rederam o ritmo louco de pensar no segundo posterior, no dia de amanhã e no ano vindouro. Agora mais um agravante, pelo último dia do ano. Um réveillon metropolitano que eu possa comprar mais que a diversidade de luz, conviver com um sorriso de agradecimento aos poucos que aqui me trouxeram alegria e enfrentar mais uma jornada de silêncios em meio ao ruído da conurbação. Que todos possam ter um ano novo de reflexão sobre suas atitudes e os destinos que buscam seguir! Desejo de 2010 diferente e melhor aos alagoanos, baianos, fluminenses, paraibanos, paulistas, a todos os brasileiros de alma urbana ou de sensibilidade provinciana!

Imagem capturada de http://www.lusopirotecnia.com

26 de dezembro de 2009

25/12/2009


Apaguei duas velinhas cor de rosa, encravadas num Pastel de Belém, na Avenida Maracanã, Tijuca, Rio de Janeiro. A saudade no peito incomodou na hora em que precisei de fôlego pra apagar as chamas que queimavam tal qual o quase insuportável calor carioca - o vento fez as vezes, ironicamente. Eu celebrava o primeiro aniversário longe de casa. Uma comeração memorável porque me oferecia o recente caminho em que não cruzam vias que eu desejaria que houvesse.
Cruzamentos impossíveis. Natal tranquilo. Ensejo de celebração.
Agora, falta menos de uma semana para o fim do ano, e o clima de despedida se repete mais uma vez. Eu sinto meus braços mais fortes para abraçar as previsões das minhas leituras, da minha estrada percorrida, das conquistas e oportunidades que jamais imaginaria há exatamente um ano. Um prazo de mudar, cujo pensamento não alcançava. Mudou. Viver o fato é mais imprescindível que sonhar um sonho, é menos redundante que a vida há dias mortos. Então, bem vivo, viva o meu sonho! Hoje, estou ao alcance das previstas experiências hipnóticas, sem apelo obscurantista, dogmático ou ao Deus dará...
"Diz que Deus diz que dá, diz que Deus dará. Não vou duvidar..." Agora conto menos um dia a caminho de uma nova idade. Não duvido que chegue lá. Se Deus não der, eu vou lá buscar. Por enquanto, vou ali num Samba, vou partindo, vou deixando, vou chegando. Mas ficar, definitivo, sinceramente, não defino. Meu caminho é andar, e é melhor caminhar pra ir crescendo.

Imagem: capturada de: http://www.turbosquid.com/FullPreview/Index.cfm/ID/237826

18 de dezembro de 2009

Embora passem os anos, o dia fica.

Justificar video

A uma semana do meu aniversário, a ideia de celebração tem me causado certo constrangimento. O tempo passou e já conto dezenas de fios brancos entre meus espessos fios de tonalidades castanhas. Não é como apontar o tempo e caminhar até à velhice, eu não sei se me preocupo com ela, mas preciso relativizar a mudança de uma casa decimal que se aproxima numa velocidade que não parece assimilar o padrão. Meu tempo é instável, não conto o dia que se acaba pela sua vigésima quarta hora, dando oportunidade ao diferente, inovador ou caído na mesmice. No entanto, confesso: não gosto dos cabelos brancos que vieram com toda força que brota na raíz e denunciam as preocupações pelas quais passei, impiedosamente.

No ápice da minha ansiedade anual, tenho uma semana para saber o que devo festejar. Além de que, muitos estarão celebrando os dois mil e nove anos do nascimento de Cristo e, a mim, não cabe a ousadia de dividir atenções distintas. Um país predominantemente cristão, de referências apostólicas da igreja romana, vê na celebração católica o nascimento da salvação de pobres almas, e eu pego carona nesse motim. Deus, se lê este blog, nunca deixou um comentário, mas sabe que eu preciso comemorar algumas boas novas. Ele também sabe que eu sou fã de cerveja gelada (hoje pouco menos que há alguns meses) e devo celebrar minha nova idade com algumas unidades dela.

A oportunidade de estar diante da mais bonita escultura em homenagem ao Cristo que, certamente, estará de braços abertos, novamente e sempre, a me receber em sua casa (dentre tantos outros templos), é o perfeito cenário para eu viver um dia festivo de alma lavada pelo sangue misericordioso do cordeiro. E o pecado não será isento neste dia, então, como bom cristão, educado por mãe religiosa e, por ter sido estudante marista, sei o peso da devoção e desejo ser perdoado neste dia. A carne é fraca, e esse é o discurso de todo homem que se dá folga da vida eremita.

Ao pai celestial, minha confissão de sobreaviso: perdoe-me, pois vou ao Rio de Janeiro. Lembrarei-me dos dias do ano em que fui carregado nos braços, porque sofria, sem poder andar. Lembrarei-me também da beleza da vida e de mais um ano que completo entre os semelhantes que, muitas vezes, desconheço. Verei os braços abertos de seu filho e terei consciência da grandiosidade desta minha existência. No entanto, meu bom Deus, dificilmente hesitarei ao convite das libidinosas ruas da Lapa; talvez ceda à concupiscência cínica do sotaque carioca e me entregue a mais um dia mundano. Guarda a minha vida e meus vinte poucos anos!



*Dedico esse texto ao meu amigo Dr. Emerson Inácio

16 de dezembro de 2009

Babado: uma abordagem linguística da influência do audiovisual amador 'queer'


Desde que internautas puderam postar vídeos caseiros, arte, 'patifarias' ou qualquer movimento de imagens na internet, sites como o Youtube viraram febre para entretenimento cibernético. Todos os dias, anônimos se tornam celebridades virtuais por causa de algum comportamento divulgado na rede mundial de computadores.

Para o pernambucano Leandro Barros (27) que, frenquentemente, acessa os vídeos na internet, a busca está centrada em curiosidades. Tudo o que for novidade prende sua atenção e ele assiste para se manter informado e se divertir com a celebridade do momento, comenta o estudante.

Diversão é o que não falta na rede: vídeos cheios de gracejo e bom humor. Muitas dessas imagens são colocadas nos sites de upload de vídeos sem mesmo os protagonistas estarem cientes. Então, tudo se torna uma grande piada e cai no gosto popular. Somente depois do sucesso é que pessoas comuns descobrem que são celebridades virtuais.

O caso da travesti Vanessa é bem conhecido pelos internautas que veem videos na intenet. Após se envolver numa confusão e parar na delegacia, as imagens do programa policial, no qual ela foi entrevistada, foram postadas no site Youtube. Suas frases se tornaram hits de música eletrônica, ela se tornou uma diva entre os LGBTs - lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros - e seus bordões, atualmente, são escutados desde boates à sala de universidade.

Os bordões da cultura LGBT estão em voga no linguajar dos brasileiros, seja à qual orientação sexual pertençam eles. Tudo por conta dos vídeos assistidos e divulgados boca a boca (ou seria link a link?). "Recomendo pra todo mundo: familiares, amigos a até pessoas do trabalho", diz o advogado paraibano A. G. (27), que incorporou aos seus diálogos muito do que vê na tela do computador. "O que eu assisto vira piada na minha linguagem e na dos meus amigos; a gente fica rindo, relembrando os vídeos", complementa Aldson.


Pioneirismo do bom humor na rede e suas influências


Tudo começou numa brincadeira, Las Bibas From Vizcaya - LBFV queriam divulgar o lançamento de um CD de música eletrônica, fazendo paródia na dublagem de cenas do sucesso da teledramaturgia da TV Globo, a novela Vale Tudo. Assim, criaram em seu canal do site Youtube a trilogia "Vale Tudo, Fia!" E foi um frenesi de acessos, pessoas reproduzindo as falas da polêmica Heleninha, interpretada por Renata Sorah, na versão original, e subvertida pelas personagens Dolores de Las Dores e Marisa TouchFine, que dão vida à dupla que utiliza bordões engraçados e nada ortodoxos.

Atualmente, um processo inverso ocorre na concepção dos personagens. Uma novela da Globo que motivou a criação da trilogia de LBFV, que criou bordões consagrados no linguajar brasileiro, que hoje parece ser forte evidência nos diálogos do personagem Cássio, da novela Caras e Bocas.

No entanto, a influência dos bordões, que surgiram nos guetos, não estão presentes apenas nas produções audiovisuais. Hoje, ela aparece em outras plataformas da cultura de massa. Um exemplo disso, é a personagem Denise, da Turma da Mônica (de Maurício de Souza), que preenche seus balõezinhos de HQ repletos de gírias do universo gay.

Recentemente, o vídeo 'babado' que está na boca (e redes socias) do povo é o da cantoria da jornalista Ione Machado [foto], com seu bordão "Tudo melhora aqui no shopping". Aparentemente embriagada, a jornalista toma o microfone da cantora do Shopping Cassino Atlântico, Zona Sul do Rio de Janeiro, e começa a cantar. Após isso, ela apresenta sua profissão e lança o bordão. Da forma que a produção amadora do audiovisual brasileiro está influenciando o comportamento da sociedade, logo teremos o bordão de Ione como slogan de algum shopping carioca.

Foto: reprodução do link do Youtube

15 de dezembro de 2009

Nada Se Compara a Você



Você descobre que uma atitude banal sua, muito comum na prática de quem está apto aos prazeres os quais não duram mais que alguns minutos, pode consumir o resto do seu dia de tal forma a descarregar na consciência toneladas de arrependimento. Você tem duas opções: autossabota, para evitar arrepender-se depois ou acende o fósforo da libido e deixa queimar e, somente no check out, saber as despesas que arcará por um dia de gente normal.

Quando eu estive cara a cara com minha mais libidinosa rendição (testosterona devastadora de 'eternidades'), eu parei e avaliei o lugar comum, a pessoa comum, o ato comum; e mais do que uma simples música que me passou à cabeça, desejei uma Aria e só havia uma faixa Pop para embalar meus ouvidos. Eu surtei! Preferi o silêncio de casa, a solidão das paredes mudas e livros espalhados, clamando leitura necessária. Assim, fui escutar minha cantora favorita a fim de transformar metade do dia em algo que valesse mais do que qualquer partitura, se houvesse, em mim, talento para tal coisa fazer. Amo música, mas apenas sou um apreciador dela. Na minha humilde posição, orgulho -me de ser um bom ouvinte.

Então, fui matar saudade da irlandesa controversa, que há muito tempo não parava e viajava nas suas letras e melodias. Escutei Emma's Song, uma das minhas canções prediletas dela. No entanto, o mundo conheceu Sinéad O'Connor com o seu hit mais famoso, portanto decido aqui compartilhar: Nothing Compares To You.


O som me fez voltar à atividade doentia de pensar e pensar, e voltar, também, à idiotia de consagrar o infame saudosismo da sobriedade que um dia alguém pôde me oferecer, que deixou a marca maior dessas marcas que a gente leva como estampa de pele e alma. Eu tive novas oportunidades, mas só, por ora, deixe-me acreditar que, ainda, nada se compara a você, azeviche do meu passado carbonizado
.


14 de dezembro de 2009

Mutilação N°62

Primeiro, você mutilou meu braço, quando eu tinha lhe dado minha mão. Eu aprendi na falta de um membro, achando que diante de quem eu tinha, tão pouco seria ausente. Depois você quis meu pensamento e, de uma forma peculiar, possuiu-o de maneira que não me fazia mal não pensar em outra coisa. Então, vieram (da forma que foram) os ossos do ofício, e você adquiriu minha literatura ocasional. Assim, com o tempo, foram-se de mim, o átrio, o olfato, o paladar e meus olhos sombrios. Pude ver que só havia ganhado um sorriso, quando você fazia um gracejo ou passava a língua no meu pescoço. Muito pouco para o que você já havia tomado para si. E conservou tudo no frio do refrigerador: pedaços de mim. No dia em que a ausência de minhas partes gritou, chamando-me à integração, eu decidi largar tudo e buscar próteses. Nesta noite, você me liga se desculpando, devolvendo meus pertecences gélidos, mas eles não serão os mesmos quando forem implantados. Não há corpo retalhado que seja próximo ao original. Pode ficar com os meus pedaços, repartidos, pois isso é tudo o que você conseguiu, mas nada, agora, para mim. Pegue a minha escova de dentes e jogue no lixo. Meus sorrisos emergem de uma outra fonte, meus dentes me pertence e eu ainda posso sorrir.

13 de dezembro de 2009

Quando a tempestade cansa


A natureza tem poderes sobrenaturais? Duvido. Tudo é o perfeito estado de harmonia. Nada de graça ou paranormalidade. Ciclos se completam. E só.

Um dia desses me meti numa tempestade daquelas, para desafiar a minha incubência de ser humano diante de força maior ou talvez força alterada diante da minha força inalterada a essas coisas de bater, chacoalhar e sangrar: meu coração continua o mesmo, se bem que minhas mãos estão frias...

Eu toquei, para sentir a temperatura de corpo estranho; eu precisava de calor, ainda quando pensava que a frieza era necessária. Senti a caleifação dos rumores. Então, percebi a tempestade soprando ar quente, uma ventania diferente e uns pingos de chuva. Eu nunca mais tive frio durante uma turbulência que me sacudia para direções, tão velozmente...

Quando eu estava completamente molhado, eu ria. E o calor se espalhava no meu corpo e eu me sentia em brasas, quase liberando vapores como um bule com seu café, fervendo.

Quando eu estava completamente seco, eu chorava. A secura que invadia minha alma fazia doer os ossos, os nervos e o passível de controvérsia, espírito desencarnado.

Caminhei com pouco intervalo de calmaria. Quase sempre choveu esses dias, com raios e ventos fortes, devastação de plano para noite, ainda no meio da tarde. Não era bom fazer planos confiando na meteorologia. O mau tempo vinha e acabava tudo. Eu desafiei as previsões e nada poderia sucumbir meus planos. Comprei um guarda-chuva resistente, uma capa impermeável e me meti dentro da tempestade, caminhando até o dia em que eu cansei de enfrentá-la. No fundo, os radares já previam.


Imagem: extremeinstability.com


11 de dezembro de 2009

Você precisa de mim?


E você sabe de que eu preciso? Eu respondo:

Eu preciso da sua falta de vergonha em assumir seus guetos às guilhotinas, para que elas partam a vida e separem o meu lado bom do meu outro lado.
Eu preciso do tiro que você dá, para aniquilar desumanos e que eles levem consigo o resto da soberba que lhes faltam para se sentirem vivos.
Eu preciso das baratas que festejam às migalhas quando você esquece a vida, e das traças que roem suas vestes, porque pouco valor você lhes dá, e elas podem me fazer acreditar em hábitat.
Eu preciso de cada gole que você engole e que todo ele me dê ânsia de vômito e eu despeje em qualquer lugar toda essa sujeira que a vida me fez beber.
Eu preciso da sua insanidade para que, às vezes, eu me sinta desentendido da realidade.
Eu preciso de cada centavo que você desperdiça em prazeres colossais em quinze segundos, para que seja eterno cada quarto de minuto que eu conto no relógio da estupidez.
Eu preciso das mazelas que você transborda no happy hour do esquecimento de quatro por cento de suas vendas, porque percentual algum já é totalidade para quando eu deseje implodir o dia inteiro, alguns dias.
Eu preciso do seu ronco para perturbar os apáticos e vê se neles provoco alguma reação adversa.
Eu preciso da desorganização da sua vida além-labor porque, certamente, há horas que preciso ver as coisas espalhadas sem ordem, no anseio anarquista.
Eu preciso da sua reabilitação para que um dia eu saiba que para trás ficaram imposições do status quo (não desmerecendo a importância).
Eu preciso mais de mim do que o pouco que você teve, e que julga precisar. Só não preciso parar o tempo e esquecer de meu propósito, porque você não tem tempo preciso para se reabilitar e perceber o que precisou era pouco e se acabou.

Imagem capturada de http://sercristaoemaravilhoso.files.wordpress.com/2009/06/forca1.jpg

28 de novembro de 2009

O desenhador de luz

À penumbra,
Quando não estou com você, a melhor parte é o sono:
Sonhos permitem companhia da vida que, hoje, faz-me falta.


Imagem: capturada de http://curtas.blogs.sapo.pt/arquivo/lights_out2.jpg

Desafio Complexo (do literal e do figurado)

Desde que conheci o Pensamento Complexo, apresentado por orientação da Professora Dra. Sônia Cândido (in memorian), na minha graduação em Comunicação Social, jamais pude ver a vida e as coisas de maneira indissociável ou unidiciplinar. O que parecia apenas uma teoria científica, a qual beira ao abstracionismo, logo deu melhor sentido a todas as pós-percepções e interpretações sobre este mundão. Ó, complexidade divina, entrelaçando correntes a fim de me fazer tão mútuo e compartilhado: multicoisas!

Eu vim de longe com projetos e ideias arraigadas de superfície de tantas vias. Eu vim, com um diploma que não jus faz um vinte avos do que aprendi, com minha formação profissional com cobertura de pessoalidade e floquinhos de espírito passional.

As redes


Grande mãe, assessora e comparsa do meu sonho. Pai , patrocinador de meus interesses sociais, tios assistentes de impulso ou crítica (a mais): são redes emaranhadas da rede que o Jordão não viu, ainda. Assim, dessas redes associadas à minha ludicidade e sereno caos, parti. Na terra, que não é promessa, alguns peixes, confluindo outras teorias e práticas, encontrei os doutores Emerson Inácio e Mário Lugarinho, os quais me colaboraram com outras redes, fios, matéria-prima poética e prosa e conversa e papo-fora. Aprendi mais e entrelacei mais linhas horizontais, verticais, diagonais... E meu primo Nélio, de pouca companhia, porém compreensão imensurável e dedicação ainda que por telefone, porque lhe falta tempo. Enfim... Guilherme Prado para me escutar e amar, insistindo que é hora de não retroceder porque, em si, há centelha de querer que eu fique também. Pessoas diferenciadas, não melhores que outras, que são parte desse emaranhado complexo de mudança de paradigmas, coisas tantas, que eu vejo com um olhar menos estreito e o viés de um tecido composto por mãos, sonhos, beijos, saudades, apoio e desejo de mim (nao só meu), que vem de outros e me faz mais espitemológico do que eu imaginava.

Agradecimento

A quem devo agradecer? A Edgar Morin, lógico, porque me fez perceber que, ainda nas dificuldades de hoje, o homem que cresceu é a associação de outros homens e mulheres, um todo de muitas partes, metonímia vital. Aos outros, um beijo, minha vida e a adesão de todos os prêmios que nunca serão só meu, caso eu ganhe em meu nome.

Desafio constante

Agora uma novo tema complexo: bem-vindo e maldito-o-tempo-que-aqui-faz e permanecer na andança contra correntes e com todo favor de todos.

Preciso desafiar mais a mim mesmo e quebrar as inabilidades, com um pouco mais de dedicação, ainda confiante na minha competência, que já me rendeu degraus subidos. Preciso ainda ver a ruína de moral, ceder ao anarquismo e continuar furtando sinal sem fio para poder saber um pouco mais do mundo, porque me faltam alguns recursos para ficar no páreo. É preciso tanto, como é preciso muito navegar (ambíguo)...


Um dia desses, quem sabe, eu escreva de uma wi-fi zone, por puro marketing, para fazer o meu, aqui; para poder desabafar, (de novo?); ou para poder, oxalá, dizer (na onda exibicionista, sensacionalista, do Twitter): - tomo um café, ainda que não goste, na companhia do Sr. Morin! Au revoir!


Imagem: Calabi-Yau, capturado no Wikepedia

26 de novembro de 2009

15 de novembro de 2009

Saudade de Casa

Hoje deu saudade da terra natal. Fim de semana um pouco tenso por conta do concurso em São José dos Campos (fui lá ontem e retornei no mesmo dia): um calor tremento estava. Domingo quente também em Campinas.

Domingo + Calor + Leitura de Blog = Lembrança de Maceió

Esta equação nostálgica teve resultado positivo na mente, quando , ao visitar o blog As Incríveis Aventuras de Pepão e Beta, deparo-me com bela imagem do pôr-do-sol de Pajuçara - bairro onde moraram meus avós por muito tempo e onde morei na infância. Uma época que eu era até mais bronzeadinho... Saudades de casa!


Foto: Pepão

13 de novembro de 2009

Outro

Disseram que vim do pó,
Que sumiria como poeira,
Tamanha a insignificância.
Depois me disseram que ser feliz
É impossível, sozinho.
Dessa vez me reduziram à metade.
Tudo bem...
Fui esse aí!

Mas não posso negar:
O amor me deixa outro.

Imagem: A.G.

2 de novembro de 2009

Ponto Cardeal

Neste lar de graça e revitalização, eu me encontrei com meses passados, através da janela onde eu ia e olhava o norte. Ali, foram-se muitas lágrimas e vinha agonia; o ar da rua que entrava para eu respirar um pouco de fora: sentir que estava vivo, coração batendo. Eu via o sol nascer para todos, mas ele não era meu, só não era meu. Agora, o quanto de mim está mais ao sul? Ao norte, apenas a paisagem que não vejo há um bom tempo. Há pedacinhos de mim em cada ponto cardeal.

"Não posso mais perder meu caminho. A leste, aqui, é o mar."

Imagem: capturada de http://rainbowsky.blogs.sapo.pt/arquivo/alone%5B1%5D-thumb.JPG

23 de outubro de 2009

Croqui de Mim

Eu preciso explodir uma bomba no Sul do meu corpo
Ou implodir o sistema central
Que não se orienta pelas setas traiçoeiras.

Meu norte não é a sorte
De quem já não mais acredita
Nesse blá blá blá de direções favoráveis.


Eu preciso visitar Recife,
Acolher Maceió que me acolhe tão bem.
Eu preciso detonar São Paulo e as cidades vizinhas.

Pelo território do meu corpo e por onde andei,
Acho que minha próxima parada é outro mundo
- não foi Curitiba -,
Mas como ele é improvável,
Deixe-me desbravar cada avenida
E cada pedacinho da terra e corpo alheios.

Eu preciso esquecer a puta vida
Que me apresentam em cada esquina de cá.
Ler o que tem de ser lido,
Escrever o que tem de ser escrito,
Ganhar o que há tempo foi perdido.
Será preciso?

Meu mal necessário é a dinamite.
Ela está em minhas mãos.
Peça a Deus para eu não me converter ao islã.
Porque Alá, só há lá.
Há Alagoas, de onde vim, sem paz,
Mas achei paz necessária
A fim de que eu possa me ocupar
Em ser feliz,
Em reconstruir o mundo que você implodiu em mim.



Imagem capturada de http://arenaarquitetos.files.wordpress.com/2009/04/adega-mza-croquis-de-cava.jpg

17 de outubro de 2009

Outra Linha

Hoje, uma gargalhada gratuita.
Não vou cobrar o estrago que me causaste.
Não sou de pedir esmola a pobre pessoa.
Não vou mendigar a impossível coisa boa.

Olha quanta riqueza concreta desta janela:
O amanhecer minutos depois que viste o sol!
Por onde olhas, neste rumo, covardemente?
Não me interessa nenhum pouco do teu sereno.

Quantas linhas pretas desperdicei nesta vida
A descrever futuros imprevisíveis diante de tua amplitude:
Limitava cada centímetro que pudeste ousar
Eu abrangia a semântica entre tuas vírgulas ausentes.

Minha mãe me viu chorar pela única pessoa
Que ela soube nome e sobrenome
Ela não se importa com assinatura que levas em teus documentos.
Eu não me preocupo mais com o teu silêncio.
É outra...

Outra forma de ver o céu daqui debaixo
Onde já cantadas leis distintas
Não me resumem a Zé Ninguém.
Apenas o peito que abriga o mundo de marcas
E feridas cicatrizadas que eu mesmo fui buscar anti-inflamatórios.

Linhas brancas, estas novas sementes de nenhuma teoria.
O mesmo repeteco de uva passa, passatempo e tudo passa.
Eu só não fui covarde como me foste um dia..
E quem diria?
Eu descubro sozinho todo chão não mapeado que estou pisando.
É mania!

Eu poderia cantar Trocando Miúdos,
Mas não dá para equiparar nada tão singular que foi.
Só que de novo a gente só conhece uma vez
E se torna antigo, peça de coleção para quem queira
Ou doação à museu de peças raras ou usina de reciclagem:
Sabe-se lá!

Há coisa maior no mundo para perder o sono,
Para contar gotas de rivotril e acalmar mentiras.
Há pessoas e pessoas circulando na Glicério esta hora da manhã..
Bater um papo sobre o tempo na padaria da esquina.
Porém, esquinas não são lugares apreciáveis para o amanhecer.

O que eu faço com a lembrança:
Embrulho e lhe dou laço de fita, demarcando vaidade
Ou queimo e dou aos viciados em crack daquele viaduto?
Ai, eu nem sei mais o que fazer com nada que ficou de ti.
Dá preguiça achar o que fazer e melhor vomitar aqui,
Em linhas brancas, não indiferentes, mas sem muito significado.

Eu perco apenas alguns minutos torcendo os últimos pingos
De uma história ousada, maculada, testemunhada
Por Lucianas, Sônias, Paulos, santos e paus ocos.
Não há mais nada o que extrair desse pano sujo de nanquim.

Será melhor escrever por propriedade sem arrepedimento,
Sentindo-me limpo, alvo, mais branco que alvejante ajuda a compor
Talvez eu escreva mais duas linhas,
Ou simplemente acabe uma linha sem dizer por que.
Não tenho mais nada a dizer senão algo novo.

Aí, serão outras linhas.
Novas linhas que desperdiçaria
Recentes panoramas, coisas caras, valores
Cá entre todos nós:
Coisas de dividir com amigos
O que nem conseguiste fincar.
Enfim... outra linha.


Imagem capturada de https://www.naturaljoias.com.br/images/fios_cordes_e_correntes/linhas_para_pedras_e_prolas/linha%20forte%20branca.jpg

13 de outubro de 2009

Trincheira Campineira de Tragos e Tiros


Amor anormal de um vocativo temporário que me chama à guerra.

Há duas forças opostas dispurando a vitória? O buraco que chama a cair e minha mão que lhe ofereço a sair e andar.

Os revólveres, as metralhadoras, as dinamites ou a bomba atômica... meu medo é muito maior que as armas que um homem pode usar, é pior que destruição em massa.

Fim de semana de ver os tiros que lhe dessem prazer em morrer mais um pouco: letárgico solvente, dissipando flores brancas, cheirosas ou fedidas. Eu não sei!

Eu só sei que eu vi. Vi uma guerra imperceptível a olho nu. Eu me vi no meio de uma trincheira e permaneci inabalável a cada estrondo dos sussuros ou gritos de quem se entrega à batalha por prazer e fraqueza.

Nossos tragos,
los tragos de buen amigo... seus tiros e as lembranças do sofá. Em casa ou na rua; naquela praça de guerra, não da paz celestial, eu não via general, tampouco hierarquia. Todos iguais e cada um optando pela marcha de seu rumo.

Eu quero trago, o aceno do lenço branco, e você insistirá com seus tiros? Não seremos inimigos, não seremos semente de discórdia alguma.


Sei que viemos do pó e ao pó voltaremos, mas eu só esperei a poeira baixar
e ver que, sobre esta terra, eu quero a paz.


Imagem capturada de http://www.brasilescola.com/imagens/historia/segundaguerra.JPG

1 de outubro de 2009

Os últimos batuques daquela canção

Tão difícil acostumar-se com o fim do carnaval. Canção que não entoa, gera silêncio. Sombrinha colorida abandonada ao chão, sinalizando o adeus do passista. Armas de defesa largadas, enfim. A música ligeira que não deixou rastros de velocidade; simplesmente parou num tempo que por dias retardou minhas manhãs momescas, de alegria e morfina.

A efervecência ficou numa manhã dessas, perdida num mês qualquer; não lembro com exatidão, porque tudo pareceu inexato - mas não é. Tampouco o Galo da Madrugada preservou seu som a fim de que possa me acordar, desejando o vaivem das massas, como num passo mágico a me ensinar o ritmo de comemorar os sensores que nada ficaram intactos. Não se traspassa uma quarta-feira de cinzas impunemente, mas a esperança ressurgente é a lição que vulgarizaram da pobre Fênix.

Quem não tem Fênix canta com Galo. Quem não tem Galo perde o gosto animal e ergue ode à flora. A começar com as orquídeas, eu vou construindo um novo jardim, a encobrir a calçada inóspita que abriga sobrinhas largadas desse frevo que não toca mais o coração.

Sim, estou passando as Vassouras, no solo da memória, porque a vida desabrigou a crença no amor à canção. Ao passo, o céu sumia, posto o teto que encobria abrigo, impossibilitando de ver estrelas. Perdeu-se o calor, a sombra em dias tórridos, a música ligeira... Veio à noite, o antigo prazer de contar estrelas cadentes. Mais uma.

Madalena, tropical, que eu cantei seu amor, agora estou aqui, a escrever em tua Vila, fria, calando os versos e os cento e vinte passos com ironia.



Imagem caputada de Pedra de Ajuda

29 de setembro de 2009

Notícias da Babilônia


Eu acho que todo mundo merece uma dose carioca na veia, bem radical. Embora não seja de família real, o império da vaidade flui em qualquer batepapo, com resquícios de sotaque nobre português associada à escorregadia vocalização de um 'aquê' e 'aê' tão gostoso de ouvir. Ai, o Rio...

Um passeio pelo passado, bem anterior àquele por que me baseio no que vivi para o que vejo pela frente. O que na verdade, fez-me, diante à Guanabara, às vezes, ter o desejo de ainda estar com quem ficou para trás e ver o que de mais atrás se deixou sobre o solo da França Antártica de outrora. No entanto, a perfeita companhia, fez-me importar com o presente, presente fluminense. Ai, o Rio...

Disse e repito, o frevo já era, porque de franco que sou, observei que, na Lapa, havia um pouco de cada canto do mundo, seja na música ou na comida, mas o jeito carioca conferia genuinidade às coisa tão comuns aonde você for. E isso fez o novo som entoar e um grande ritmo acelerado no coração. Ai, o Rio...

Capitania real de uma vaidade exacerbada em cada sorriso. Na outra esquina, a capital do vicerreino do Brasil, lembrando as aulinhas de história da professora Bernadete. Um passo à frente, a capital da colônia, por ora, dos corpos provocantes e de um funk, antes reprimido em mim, que se libertou e foi até o chão, ao gosto de Itaipava, na boa... Ai, o Rio...

Ai, o Rio ficou me devendo o dragão tatuado no braço, o compasso do samba, os braços abertos do Cristo, de perto, e o esperto aperto de braços... o laço que ali ainda se fez a fim de que eu volte e veja que o rio corre para o mar de coisas que eu ainda vou provar. Há de ter para confundir as línguas, mostrando-me o outro janeiro. melhor do qual preciso esquecer.

22 de setembro de 2009

À procura do berço esplêndido.

- Que carinha mais pra baixo! Disse Lugarinho, à constatação fática.

Nem todos os dias nossa cabeça se inclina na direção upstair.

Ontem, minha mãe interrompeu meu jantar com um telefonema preocupante: sua costante preocupação em saber que tudo está em ordem e progresso. A senhora do lema positivista em tempos de decisão, que carrega, no peito e na saudade, as poucas palavras da bandeira nacional e todas as palavras possíveis de quem ainda tem muito a dizer.

Receber conselhos, sermões experientes, transferência bancária e "eu te amo" nas entrelinhas é satisfatório, mas não menos doloroso. Este cuidado especial a que nos acostumamos sem poder acomodarmos permamententemente no útero metafórico, de lençóis de seda materna: conforto e proteção.

Nas estantes, vestidos de tecido áspero e necessário para consulta "sempre que precisar" há uma grande proposta, inúmeras respostas e o "esqueça e vá estudar", ecoando. E a pedrinha no sapato, incomodando, como se ela citasse de mim a razão de querer up the downstair, e conferir minha cabeça mal inclinada:

Não sei se aqui ou acolá é meu lugarzinho! Respondido, Lugarinho?

20 de setembro de 2009

O que restou de Paco Agnus


Foi quando Paco Agnus se encostou no lado direito da cama que o nada a ver pareceu inerente à via de suas dúvidas, tantas delas, sem as respostas imediatas de que ele tanto precisa.

Paquito, jovial, começou a perceber os cabelos brancos que se multiplicaram, denunciando um semestre perdido na esperança que ele arrancou de olhos vendados das velhas alfaias que colaboram aos macacatus. Baque solto, como solto à queda, caindo, sem direção. Pacón, sentia-se pela instância idosa dos sinais vaidosos de necessidade vã. Quantos Pacos haviam ali? Não sabia, não queria saber. Paco que nos anjos acreditava, crucificou as crenças nas letras garrafais, nos textos livres e na literatura envergada ao bel prazer. Pois, sim, agora, põe-se a escrever, descrente.

Amada Negrinha,

Desde muitos dias, estes sóis me trazem rugas, apenas. O tempo me é uma agressão. Faz frio aqui e a luz brilha torturosamente. Olha, que a noite nunca foi tão agradável desde aquela última que me telefonaste para avisar que a rua estava calma, e na porta, dentro do automóvel, desejavas ouvir meus desejos de boa noite e queixas de saudade. Eu, a imaginar que minha voz perfurava o imenso silêncio do dorminhoco Capibaribe. Rio-testemunha do nosso segredo desapropriado à uma metrópole esquisitamente debochada das minhas dores de hoje em dia.

Olha, mulher ingrata, eu daria tudo para me embebedar do teu sorriso, mas sorris para qualquer um moço, desses fartos que existem por aí em tua agenda a sete chaves, para que tua mãe não saiba quem és na intimidade. Soube por vago pressentimento que agora tua vida é o ápice-querendo-um-pouco-mais, em que me excluis da subida, sem desejo de olhar abaixo. Não estarei ali, estimada. Nossos parâmetros de medida são diferentes desde princípios. Preferes os robustos, encorpados, peludos e vadios. Prefiro os dotes de quem me rouba sorriso ou lágrimas de falta fazer. Queres a opção nos leques e nos catálogos da desavergonhada luta de canibais famintos. Eu quero prioridade de uma dieta rica de apenas um lugar.

Eu tenho andado tanto, negrinha trabalhadora, a buscar o serviço das gentilezas. Visitei as praças que tantas negras poderiam ser tu. Ainda de longe, não as dei a posição que ocupavas. Os garanhões e temidos amigos dizem que o macho fraco sou eu; quem chora por falta tua. Aconselham-me provar outros temperos e texturas.

Eu tenho me iniciado no teu caminho sem vergonha e alguns resultados são positivos, se à noite não me recordar de pedir a Deus pela tua alma insana, que busca santidade na cultura popular, na religião não praticante ou nos editais do teu sonho de consumo.
Semana que passou, eu mesmo não aguentei após uma oração em que pedia, ao pai, tua felicidade, quando me questionei qual vingança eu poderia ter após tua sacanagem, ó, mulher!

No entanto, minha boa alma não congrega com essas revanches banais. Aí eu chorei. Aquele mesmo tolo de sempre, que enchia teus ouvidos de poesia desvalida, no final das contas.
Depois de tanto tempo, o resultado das abstenções foi essa sequidão no meu peito e o olhar que avalia todas outras como putas que encantam como canto traidor de Ossanha.

Então, visto hoje meu terno mais bonito e saio por aqui a rir dessas meretrizes da modernidade, que saem com um e com outro em troca de status, um suvenires ou a pequena morte, tão cultuada.

Então, no fim da noite, eu já embriagado dos entorpecentes lícitos que a minha vida de prazeres fugidios me proporciona, eu sento à mesa, cansado, de tanto em pé observar as mal pagas. E na mesa, que te falta, dói-me. Negrinha dos meus saudosos meses, conseguiste o que querias?

Hoje, eu não acredito mais nas mulheres porque todas elas são que nem tu e teus muitos nomes. Mulheres que apenas mudam de nome.

Paco Agnus.


Em tom de despedida; mais umas rabiscadas, apaziguando terrorismo literário que pouco lembra os dias agonias que sua negra lhe trouxe, Paco amassa o papel para que o mundo não conheça o fim da picada e a peçonha que hoje corre no seu sangue.


Imagem: capturada de http://saudealternativa.org/wp-content/uploads/2008/01/veneno_small.jpg

1 de setembro de 2009

Felina Metáfora

Enquanto você era meu,
Eu me doava mais.
Faz-me uma falta danada
E eu nem sei mais quem sou.
Achei outro sentido:
Você dorme cegamente
E eu vivo.

31 de agosto de 2009

No topo dos edifícios, edificando.

Etapa 1: Alicerçando.

Há um silêncio maior que da voz que não calou todos os dias.

O homem que observou o ritmo cosmopolita e fez da voz interna, quase esquizofrênica, seu guia. E pouco se ouvia dele. Havia mais para saber do que ensinar na curva transversal, de súbito.

Deixou ardor mensal na natalícia de sua grande ironia. Acabou o player. Excluiu arquivos. Disseminou "até breve" sem saber a data de retorno. "O bom filho sempre a casa volta". Voltou com muito a dizer do que se ouviu.

À volta, um ardente passado e breve ressurgiu e, como nova lei, optou calar. O frevo de fevereiro agora é vão. Toda intenção e esforços desperdiçados à lembrança faculta - nem bom lembrar. Não teve mais vontade de chorar porque o último suspiro não lhe causou um lapso, mas meados de verdades foram vistas de alguém que não quis mais ver. Cada um que opte pela cegueira porvir. Atrás não há nada o que mais ver.

Agosto, encerrando seu derradeira nascer do sol.... À noite que vem e, com ela, o adeus sapateia até o instante em que a penumbra só espera duas metades da cortina se encontrarem, em uma só. Espetáculo foi ver o céu no limite cabível e saber que há tanta coisa que transita sob nossas cabeças mal inclinadas. [Olha para cima, cabra da peste!] Veja, também, que abaixo tudo é pequenino e manipulado: máquinas, cimento, desenhos de criança do jardim em natureza latifundiária, com resquícios do intocável e não arrendado pedaço de chão. Confuso, não? Então, faz como tal e observa.

O chão é limite para quem quer descer. Entretanto, tudo é viés. E por isso que a gente sobe e desce, vai e vem, conta a morte e escuta; um dia será acorde da canção. É tão bom viver o que não é óbvio e mesmo assim querer fazer previsões. Melhor ainda é olhar que as ruínas são apenas objeto da história e que a geografia lança o homem à nova altitude em edificação.

De volta, vai...

5 de agosto de 2009

Bem-vindo eu?

Aquela moça na fila do restaurante não acreditou nas minhas sinceras desculpas por encostar a mão no bumbum dela. Eu estava ali para almoçar, não para apalpar o corpo alheio. Bem... se ela não acreditou, o problema não é meu!

Comer por aqui é um eterno dilema: tanta coisa boa, tanta opção que causa dúvidas. A alternativa de vida dietética entra em crise, mas, por enquanto, que venham os pratos cheios e que eu consiga saciar minha fome de conhecer!

Fora as muitas cores dos pratos, há diversas cores de gente; lembrei-me da piada boba que na adolescência questionava o ponto amarelo no meio do 'nada'. Estive algumas vezes me sentindo tal qual o trocadilho humorístico: uno milho.

Sundae e água mineral, picanha mal passada, prova cabal de conhecimentos gerais, poluição para respirar, lixo [tanto lixo] pra ver, frio, calor, frio, calor, frio... queda de 6ºC num período de 2h. Saída de um hotel que tenta ser menos frio (não conseguiu, tá?!) para o lar da família: minha tentativa mais poderosa de me sentir em casa... se minha mãe não se cansasse de ligar para sempre ratificar que estou mui bem.

Assim, de vez em quando, eu me sinto tão... sei lá... 'firmeza'?! 'Meu'...

Ôxe, tô bem!

28 de julho de 2009

Por ser brasileiro, eu assino embaixo.


Eu nasci brasileiro, filhos de pais nascidos em território tupiniquim; não posso ser diferente, mas hoje, tenho orgulho disso. Não é mais uma vergonha ser brasileiro nato, cheio de minhas peculiaridades. Minha nacionalidade é de causar inveja, dito isso, o texto abaixo, explicaria melhor:

"A inveja é um sentimento básico no Brasil. Está para nascer um brasileiro sem inveja. A coisa é tão forte que falamos em 'ter' - em vez de 'sentir' - inveja. Outros seres humanos e povos sentem inveja (um sentimento entre outros), mas nós somos por ela possuídos. Tomados pela conjunção perversa e humana de ódio e desgosto, promovidos justamente pelo sucesso alheio. Nosso problema é o sujeito do lado, rico e famoso, que esbanja reformando a casa, comprando automóveis importados e dando 'aquelas festas de tremendo mau gosto!'. Ou é o sujeito brilhante que - estamos convencidos - 'tira' (rouba, apaga, represa, impede) a nossa chance de fulgurar naquela região além do céu, pois residindo no nirvana social dos poderosos (mesmo quando são cínicos e fracos); dos ricos (mesmo quando pobres e sofredores); dos belos (mesmo quando são feios); dos famosos (mesmo quando são fruto promocional das revistas e jornais); e dos elegantes (mesmo quando são cafonas), estariam acima de todas as circunstâncias.

Estou seguro que não é o patriotismo mas a inveja, o sentimento básico de nossa vida coletiva. Para começar a gostar do Brasil, tínhamos que invejar a França, a Inglaterra, a Rússia, a Alemanha, a Itália e os Estados Unidos. Era, sem dúvida, a inveja que nos fazia torcer pela queda do Brasil no tal abismo de onde ele sairia melhor do que todo mundo. Antes do sexo, o brasileiro, tem inveja. Ela antecede a sensualidade e o erotismo, sendo básica na formação de nossa identidade pessoal. Você sabe quem é, leitor, pela inveja que sente todas as vezes que encontra o tal 'alguém' que, pela relação invejosa, te faz sentir um bosta: um 'ninguém'.

Como as nuvens em volta das montanhas, a inveja se adensa em torno de quem é visto como importante, de modo que, ser invejado, é equivalente a 'ter poder', 'charme', 'prestígio' e 'riqueza'. Dizem que a inveja é perigosa, mas o fato concreto é que não há brasileiro que não goste de ser invejado por alguma coisa. Pelo salário, pelo poder, pela beleza, pelo sucesso, pela inteligência e até mesmo pelas sacanagens, injustiças, calúnias, e descalabros que comete. Num seminário recente sobre 'Ética e Corrupção', eu disse que é justamente a vontade de ser invejado que descobre os corruptos. Pois diferentemente dos ladrões de outros países, que roubam e somem no mundo, os nossos são forçados pela 'lei relacional da inveja' a retornar ao lugar natal para mostrar aos seus parentes, amigos e, acima de tudo, inimigos, como estão ricos e, nisso, são denunciados, presos, soltos e finalmente colocados no panteão cada vez mais extenso dos canalhas nacionais. Dos infames que comprovam como a inveja e o desejo de ser invejado é o motor da vida brasileira.

Minha tese é a de que até a canalhice é invejada no Brasil. Richard Moneygrand, o grande brasilianista, escreveu no seu diário filosófico, Voyage Into Brazil que: 'Para os brasileiros, um dia sem inveja, é um dia sem luz. A inveja confirma a idéia nacional do sucesso para poucos, como antes confirmava o berço e o sangue para a aristocracia e a superioridade social para os funcionários públicos e senhores de engenho. Todos a condenam, mas ninguém pode passar sem ela.'

A inveja, digo eu, é o sinal mais forte de um sistema fechado, onde a autonomia individual é fraca e todos vivem balizando-se mutuamente. O controle pela intriga, boato, fofoca, fuxico e mexerico é a prova desse incessante comparar de condutas cujo objetivo não é igualar, mas hierarquizar, distinguir, pôr em gradação. O horror à competição, ao bom senso, à transparência e à mobilidade, é o outro lado dessa cultura onde ter sucesso é uma ilegitimidade, um descalabro e um delito.

O êxito demarca, eis o problema, um escapar da rede que liga todos com todos. Essa indesejável individualização tem mais legitimidade quando vem de quem já está estabelecido. Daí ser imperdoável que Fulano - 'aquela figurinha' - o faça, destacando-se pelo disco, novela, livro ou empreendimento desse mundo onde todos são pobres e miseráveis por definição e por culpa do 'social'. O pecado mortal das sociedades relacionais é justo essa individualização que separa o sujeito de uma rede hierárquica. Rede que nos persegue neste e no outro mundo.

Como, então, não sentir inveja do sucesso alheio, se estamos convencidos que o êxito é um ato de traição a um pertencer coletivo conformado e obediente. Como não sentir inveja se o exitoso é aquele que recusa ser o bom cabrito que não chama atenção e passa a ser o mais vistoso - esse símbolo de egoísmo e ambição? Ademais, como não ter inveja, se o sucesso é um sinal de pilhagem de um bem coletivo? Essa coletividade que, entra ano e sai ano, continua a ser percebida como mesquinha, subdesenvolvida, pobre e atrasada? Como um bolo pequeno e que jamais cresce, destinado a ser comido somente pelos que estão sentados à mesa?"

E por ser brasileiro é que eu assino embaixo, mas logo abaixo do nome dele, que tanto invejo!

Texto incidental: Você tem inveja?, de Roberto DaMatta
Imagem: capturada de Goyco Design

21 de julho de 2009

Dia Mundial da Amizade

Ontem foi a data comemorativa do Dia do Amigo. Recebi algumas mensagens SMS e alguns amigos desejaram um feliz dia no espaço virtual. Fico muito grato a todos que se lembraram de marcar essa data com uma mensagenzinha! Então, lembrei-me de um e-mail que, certa vez, alguém muito especial me enviou; um poema simples, mas uma bela mensagem. Infelizmente não sei quem é o autor(a)...

AMIGOS E LIVROS

"Devemos buscar amigos como buscamos livros.
Acertar na procura.
Não exija que sejam muitos,
Mas que sejam fiéis.
Não exija que tenham boa profissão,
Mas, sim, bom coração.

É triste a pessoa que não pode buscar livros
Por não saber lê-los.
Mas é ainda mais triste aquele
Que não pode buscar amigos
Por não saber conquistá-los.
É triste a estante vazia por falta de livros,
Mas é ainda mais triste
O ser humano oprimido por falta de amigos.

Os livros nos tiram da turbulência da alma,
Nos fazem refletir sobre grandes acontecimentos,
Mas o amigo converte tormentas e tempestades
Em chuvas de sentimentos.

Não podemos chamar de rica
A pessoa que tem livros,
Mas podemos afirmar que é mendigo,
Aquele que não tem amigo."

Imagem: Maurício de Souza

17 de julho de 2009

O Alagoano do Mundo


Não se sabe, ao certo, o que vale mais nesse jogo de valores. Eu tenho batido na mesma tecla durante vários anos de busca incessante por alguns bons momentos coletivos, onde dois são suficientes para interpretar. Eu saio apostando as cartas que tenho nas mangas, nos limões azedinhos que eu provei com sabor de melancias, doces e suaves. É como cantou Cazuza sobre a sorte de tal amor, com o sabor que a fruta oferece ao mordê-la para saciar fomes mais profundas.

No começo do pesado ano de decisões e sensações de últimas cartadas, eu vi tanto exemplo de coisas ausentes em mim. Eu queria aquelas que não eram minhas, eu pedia um pouco de doação. Eu doava meu cesto frutífero e ouvi dizer que eu não era um ovo a se misturar em cesto tão nobre para não quebrar os outros, tão frágeis. Então, indaguei a fragilidade de um sentimento. E as respostas vieram em safras pequenas, sazonais e eu via, assim, um pomar se transformar em objeto de coacla, onde soava um "vai tomar..." bem educadamente. Não, não era uma crise existencial minha! Era 'sei lá o quê!' que me fez ressurgir no poleiro alheio, com a impetulância de me achar 'o de ouro', quando não era.

Amigos 'mais ou menos', com suas aspas circunstanciadas me fizeram valer em um consumo que eu não mais queria. Amigos oniscientes da minha repetitiva prosódia, lamentosa e lamentável, ouviram, às vezes, calados e outras tantas, incisivos e incertos do terreno da incerteza. Ai, o mesmo cara com seus dramas e sua mania incansável de acolher o primeiro fruto tirado da árvore pecaminosa! Ai, ais de tramas e traumas! Aí, eu vi o tempo correr e as linhas do meu Trabalho de Conclusão de Curso percorrer por outro caminho que eu inventei para protelar mais uma vez sabedoria que os mestres e doutores leem tese. Síntese de alguns anos graduados na academia de poucos alunos. Antítese que veio no final do percurso, com uma decisão de um Supremo Tribunal que acolheu os bons dotes, em forma de lobbies, reduzindo o valor de um papel proficiente da sonhada mobilidade social.

Seriam vãos os anos se eu não acreditasse que a melhor ciência aprendi com a soma de tudo: o Marcinho a falar de sexo no intervalo da aula, a garota insuportável cujo nome mantenho em sigilo para não polemizar - mas ela ainda deseja acumular seus diplomas... para exibir suas belas formas em classe? Onde está seu cérebro, uai?! Os amigos que deixei na lembrança de trabalhos em grupos e os que levei para as atividades extracurriculares, bem pessoais a discutir o amor, o sexo, a música e brindarmos pedacinhos de nossa história em qualquer banco que não seja da Universidade Federal de Alagoas. Renatinha, agregada à Comunicação Social, exercida lato sensu e em senso comum... das Letras para nosso ciclo de comunicadores de enredos próprios e polivalentes. Quantos talentos descubri nas faces de muitas cores, no arraso da beleza de Luciana, no quintal de Déa Elena e Oliver para juntar os pedacinhos de acadêmicos e formar o nossa universalidade, a tonfa do Gabriel que virou piada minha no aniversário de sua dama... ILBS, que virou sigla para alegorizar nossos sorrisos descontraídos! Olha, a Sandra eu vi ontem para matar saudade de suas mil e umas dúvidas e tormentos; ela me pareceu muito bem, obrigada!

Fora essas recordações, têm as novas experiências para agregar à minha futura lembrança dos últimos dias na terra natal. Eu volto, talvez brevemente, quem sabe demore mais, quem sabe, quem sabe me diga?!

Esse último mês para esquecer trincheiras do norte mais leste, de povos e invasores, de tanta cana-de-açúcar, meu Deus! Os latifúndios que eu sempre recordo, associando às minhas viagens a Recife dos canais e rios, de outro amor, de outra dor, de alguns amigos que ali reconheci. Ah, esse julho próspero, tão nervoso, doloroso e ensurdecedor dos gritos que só eu escuto nas batidas do coração que reclama uma paixão fervorosa, talvez caprichosa para ocultar outro discurso e enveredar pela mesma semântica, como quem passeia pelo canaviais a fim de lembrar que há doçura em matéria prima, e revelar a Cazuza que amor tranquilo pode ser saboreado no caule, sem mesmo alcançar à altura onde está a fruta que a vida colocou mais alta para selecionar espécies.

Julho que me trouxe a pancada no ego inflado que subestimou uma nobre figura, de álbum novo. Eu vi a carne tentar o fraco. Eu ainda assim subestimei a carne, reduzindo-a à carne e só. Carne do corpo que comovia minha testosterona, como apelo ao último prazer com nome e sobrenome nesta terra onde minha mãe gerou seu fruto.

Aqueles olhos desejosos passaram a ser o olhar e desejo de olhar mais vezes. Aquele tronco virou o cheiro lembrado pela cama que denuncia e intima a memória a funcionar. Aquele beijo parece, agora, o gosto que eu subestimei sentir por mais de uma semana até que enjoasse. Mas não. Dei-me conta de que minha satisfação começa na matéria, mas sempre termina no epicentro das minhas sinapses, causando turbilhão de sensações muito além (leia-se profundo) da epiderme. Minha vocação, assim, é essa mesma, de acumular os talentos descobertos e abarrotá-los na cavidade mais preciosa do meu peito canalha.

Aí eu cuspo a nicotina para que meus beijos sejam bem mais saborosos como quem acabou de comer cajá e pé-de-moleque. Diga-se de passagem, que um dia alguém falou que tinha gosto de tapioca recheada da orla da Jatiúca, bem próximo à Praça Vera Arruda, criminosa, dos nossos atentados ao moral dos mirins que ali circulam e brincam entre os narcóticos que aproveitam o policiamento escasso e suas liberdades acorrentadas a alucinógenos.

Eu só queria ver mais uma apresentação de coco-de-roda, escutar o máximo que posso o sotaque dos meus afins, porque hei de ouvir novas variações linguísticas, de me aprisionar no trânsito mais louco, e ver um azul mais cinzento, de olhar o relógio com mais pressa, entre tanto concreto e garoa cotidiana até que eu apague a luz de onde dormirei e volte a sonhar com meu lar materno, a ouvir as queixas de D. Sônia, a receber as ligações do Leandro (aproveitando a promoção da Tim), a ver o brilho nos olhos de minha irmã ao requintar seu novo e conjugal patrimônio, a descobrir as coisas em comum com o amigo Roosevelt, e todas as outras possibilidades que eu tenho dentro do meu mundinho cheio de olhares críticos e meus monólogos reclamantes do baú que um certo mané me intitulou musicalmente.

Não estou abdicando meus desafetos nem meus laços de fraternidade. Vou priorizar uma tema que há muito tempo deveria ser mais importante em detrimento da vida mansa, da fala mansa, do 'bem ali' que eu chego logo. Fazer meu nome, como dizem os egocêntricos - sim, eu tenho minha parcela de culpa! -, cogitar novos odores de metrópole, vivenciar oportunidade de visionário retirante, construir paredes mais fortes para que o lobo ocioso não desmanche com seu sopro, cavar, alicerçar e levantar vigas de profissionalismo, aprender com os privilegiados do 'melhor mercado', ensinar gírias das Alagoas e o que acreditarem ser comum de qualquer habitante do planeta. Enfim, quero voltar com o sentimento de saudade da terra onde se pisa com mais firmeza e certeza de amiga mão à queda e, sobretudo, voltar para encher o peito do ar que o amor de muito tempo já é solidificado, para gozar das minhas férias já sonhadas no seio e celeiro de meus primordiais ensinamentos.

16 de julho de 2009

TEMA 03 - Sentidos Simultâneos


O Crime do Monarca

Nenhuma faixa ou placa de aviso indicava o reino desconhecido no fim do túnel. Lá, tudo era quase nada; era ínfimo porque havia ainda resquícios do silêncio e som. Um não suportava a presença do outro. Ora, denunciavam-se os ruídos de sobrevivência; ora, o dedo indicador imperava transversalmente sobre os lábios da inexistência: calavam-se todos os rumores...

Às 27 primaveras de andança, a Policromia resolveu desbravar o lugar de ninguém, como se fosse sua solitária cruzada para catequizar a própria alma, refletora de si mesma – uma espécie de retiro à parte de um mundo de enlaces descartáveis. Entretanto, ela não poderia imaginar que o Preto teve igual ideia, mas com propósitos particulares de fuga dos holofotes ameaçadores de sua identidade ausente.

Assim, estabelecia o encontro inusitado de quem é de sinérgica consciência sobre cada nuança da vida com aquele que, de má fama e timidez, tomava a coroa e sentava ao trono na ausência de tons, quando a retina ociosa abdicava a monarquia.

O tempo já denunciava necessidade de ajustes no império dualista. O Preto não queria ver as cores quentes na primeira manifestação de cálidas insatisfações que a Policromia se queixava, aproveitando o protagonista silêncio das horas em que os rumores estavam a léguas da terra nativa. No entanto regressaram, porque já havia boatos, a intuir a possibilidade de desafeto em território aquém dos movimentos essenciais de vida.

O Preto resolve – fugitivo de ruídos – ausentar-se.

A Policromia resolve – combatente a silêncios – capturar presença.

Aquele dia não poderia deixar de ser um marco para a união de sentidos. Não havia ninguém para presenciar a ausência de cores (Preto) e o lamento da Policromia, que unida ao som, desesperada por alguma notícia, clamava ao partícipe de uma fuga:

- O dia, com todas as cores, seria alegria, seria perfeito, se não faltasse o Preto!

Mas parece que o partícipe cumpriu seu sentido no crime: permanecer calado, sob a lei do silêncio.

A Policromia desde ali viveu à paisana.



10 de julho de 2009

Papel Palpável

Dom Quixote, de Cervantes, inspirou.
Leigh/Darion escreveram, em 1965.
Elvis Presley cantou ao vivo.
A indústria cultural divulgou.
Chico (Buarque) fez versão.
Bethânia (,Maria) interpretou.
Eu transcrevo o verso da versão lusofônica,
condicionada ao prisma pessoal e,
quem sabe, ao destino que já está de malas prontas.



"E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão."


O Afogamento

Derrubei um botijão de 20l de água mineral no chão. Houve uma rachadura, a água escorreu por toda a cozinha e o impacto fez respingar algumas gotas na bermuda preta com detalhes em verde e branco.

Foi a primeira vez que tal acidente me acontecia. Eu fiquei em pânico pela pouca água potável no planeta, pelo susto e por três contos de reais irem por água a baixo...

Lá estava eu, a enxugar o molhadeiro na cozinha; e a água se misturava com o pelo do gato que voa involutariamente, com pedacinho de macarrão instantâneo que a minha irmã comeu no almoço. Ficou uma meleira. E eu, a enxugar e limpar 20l desperdiçados num acidente caseiro.

Ai, que sede de vergonha!

Água potável, que absorvida pelo pano de chão e a sujeira dele, tornava-se alimento de esgoto.

Tanta água e um banho a meio-corpo me fez lembrar O Afogamento (La Noyée) de Yann Tiersen para Amelie Poulain. Recordando também o dia 4 de janeiro - uma mensagem pessoal no MSN, onde alguém me lembraria após dias. Lembrei-me também do fôlego preso na Semana Santa com grandes amigos em Barreiras do Coruripe, em um braço de rio, testemunha de tantos risos e fofocas. Então, depois de arrumar toda a bagunça molhada, secar incidente da tarde - a coisa mais excitante do dia - uma pausa para ouvir violino, acordeão, melodia para cinema que marcou minha audição, com harmonia.

E por incrível que pareça, sinto-me feliz e molhadinho para que o pó das lindas experiências possam aderir ao meu corpo e me fazer pensar no dia que ainda não sei a diferença que fará.

Por enquanto o vento vai secando, a água vai molhando... coisa bem normal! O pó é apenas prognóstico e realização.

Minha avó está na sala, nem sabe quantas águas vão rolar.


Ouça: La Noyée (de Yann Tiersen)

9 de julho de 2009

"Debaixo dos caracóis dos seus cabelos..."

Eu tenho mania de crer em um dia que minha escrita será plausível e, além do gozo de tal prática, dela virão os bons e fartos pratos de minha mesa.
Fora isso, não tem nada que eu queira com veemência, gente boa: a paixão já me dói o corpo, a felicidade também é à conta-gotas e os amigos cativos estarão sempre no horizonte que enxergo sem que a mesma cidade o veja.
No mais, a paz para dormir algumas horas diárias, a cerveja para dias quentes em minha cidade natal e as orações de minha mãe vão me deixar saber que um ídolo é imortal: conheci o amor verdadeiro de preciosa fã em vida.