Eu, talvez, tenha me enganado muito mais vezes do que me achei certo. Errei feio e com esses erros, mesmo apreendidos, aprendi muito pouco. São quatro décadas de erros e eles me deixaram acúmulos de muito mais densos, em tese; em teoria tudo ficou meio vazio, mas vasto de respostas que não encontrei. Foi-se o tempo. O tempo é outro. É remédio de longo prazo que não faze sentido ao tempo que tenho, do que ainda me resta - tão jovem - neste caminho à frente, com as mesmas perguntas de sempre, em sentido adiante já me sinto velho. Quanto tempo falta?
Acumulei umas enfermidades por negligência minha. A mente agora está me cobrando todas as respostas e eu sequer as tenho tão breve. Ontem senti a falta de um abraço de quem mais me amou, certam3ente mais do que eu naquele tempo nosso. Nao tenho como alcançar pela distância, pela instância e pelo cansaço; e a vergonha de errar novamente. Então hoje decidi me abraçar de uma forma sutil e me pedi desculpas discretamente: em voz baixa, lágrimas secas e verdadeira derrota dos vários dias atrás - todos eles.
Perdão é o que ficou para mim e também ficou para amanhã. Porque até há pouco instante pensei que tinha progredido, entretanto corri para o lugar mais sensato que encontrei: onde pudesse me olhar por dentro, desde dentro mesmo, porque só via de fora. Como meu olhar saísse de mim desesperadamente para o lugar mais distante, e quão distante fosse mais do que a proximidade e intimidade a que me tinha, eu pudesse ser imparcial e mais coeso; Ademais, ainda que pouco, sempre fui míope. Os olhos voltaram(-se) para o lugar certo. Um erro a menos, pelo menos!
Então agora estou com a receita médica para consertar os erros acumulados, e estou com olhos no lugar, contudo todo o resto já está distante. E agora, eu?! Minha pernas por onde andam? Meus braços, há pouco, abraçavam-me; já não alcançam aqui e estão do outro lado deste abismo em minha/sua frente. Meu tronco inteiro, imperfeito, com suas exageradas curvas, fazem-se de sinuosas desistências. E o pescoço que decidiu ir embora suportando a cabeça sem olhos, os que ficaram por dó de si; estão além do horizonte e quanto de refração somada para enxergarem onde devo ir buscar todas essas partes minhas que abandonaram esses olhos que agora choram.
Para além da matéria, já não há nenhuma crença. Faz tanto tempo. Olhos românticos, conservadores, desprovidos de foco... olham dispersos sempre a buscar todas aquelas partes. São, portanto, o que tenho eu, assim, carcomido e ainda todo despedaçados. Pedaços de mim por aí, se me lerem um dia com outros olhos, já não esses, por favor, desculpem-me por amputar-lhes!