Retirando os pedregulhos,Porque o que for mais leve,
O vento leva.
E a chuva completará o serviço com a lavagem da sujeira.
Muita coisa podre vai escoar pra fossa.
O que for rocha, fica!
Foto: open4download.com

Foram 24h de ansiedade e sofrimento. Vieram dores de cabeça e pelo corpo, que não senti igual em 28 anos de vida. Para saná-las, analgésicos, chá de boldo, muita água e medo de alimentar-me com comida sobrecarregada. Não era físico o meu problema, era simplesmente emocional.
A verdade é uma só. Ela não precisa de disfarces nem facetas, porque o único intuito dela é ser ela mesma, e por isso reina, sem absolutez, porque é despretensiosa. A mentira é quem se apresenta de diversas formas, porque ela tem inveja de ser verdade e faz de tudo para se parecer com ela. No entanto, ninguém reina, tentando ocupar o lugar do outro por muito tempo. Uma hora, a semelhança é descoberta pela veracidade, ou a própria mentira, que é dissimulada, não se sustenta com identidade falsa (confunde-se).
Não é porque passam três viaturas da polícia em frente à minha casa que começo a pensar em desgraça. No entanto, a tragédia está presente de segunda à sexta-feira e eu só reparo no balanço no fim de semana. A semana não é uma tragédia para quem espera a família que aterriza, no sábado, enquanto estarei sentado numa carteira escolar, estudando a primazia das Artes Visuais. Não se tem, mesmo tempo para tudo, tampouco para se perder, reparando nas tragédias, sem a mínima possibilidade de solução para ela.
A ansiedade em contagem regressiva nesta semana. Quantos dias faltam para eu ver minha mãe e minha irmã? São duas mulheres com quem dividi o mesmo teto, sozinhos, durante aproximadamente uma década. Hoje, cada um está sob um teto diferente; e eu fui mais longe de casa.
Eu poderia escolher uma homenagem personalizada e enviar diretamente ao destinatário do meu texto, deste momento. No entanto, aqui na minha casa, não poderia excluir - sem limitar exceções - a mais nobre das visitantes e incentivadoras do meu intento literário: minha amada mãe, de quem eu herdei o gosto pela redação.
Eu pedi um cheese burger e um suco de laranja numa padaria qualquer, que eu só havia entrado uma vez. Era a minha segunda passagem por lá; desta vez, para uma refeição. Meu jantar teve a cara da atendente. Enquanto ela preparava meu lanche, eu tive uma ligação - que foi motivada pela minha saudade - rejeitada. Parecia tudo bem normal para uma segunda-feira como tantas outras.
Eu abandonei o blog por uns dias. Talvez fosse preguiça de escrever ou receio da repetição. O repertório, por ora, esgotou. Foi-se o tempo de hibernar, mas havia uma bendita tecla chamada soneca que me permitiu ativar mais um pouco deste ócio literário maravilhoso. Há um tempo para tudo e eu fugir do home bitter home, claustro cibernético, a fim me entregar aos prazeres hipnóticos do sonho após o cumprimento de Morfeu. Há mais em mim agora do que não havia antes - o contrário é o envelhecimento -, e essa anterioridade é presente, ainda. Do melhor dela, é o que depois da soneca quero transpor em palavras. É impossível abandonar um prazer só por descobrir outros. Bom mesmo é quando o leque aumenta e posso sentir que o repertório precisa de ensaio, preparo, busca de prefeição.