Eu olhei bem para o meu quarto e percebi a bagunça que ele estava. Na verdade, nunca fui tão organizado no meu canto mais íntimo, mas desta vez percebi que a desorganização estava escancarada na minha frente: trabalhos dos meus alunos, misturados aos DVDs, CDs, produtos de higiene pessoal, agendas, roupas...Se eu parasse para procurar alguma específica, demoraria muito para saber onde deixei. Em analogia à vida, ela mesma me mostra como tudo está: o pensamento, o compromisso com a profissão, com a carreira e, o pior de tudo, comigo mesmo.Em meio a esta desorganização está meu desespero e a falta de força para deixar tudo em ordem, aí parece um efeito de avalanche, que vai levando tudo que está à frente.
Chegou a hora de deter tanta destruição. Começar pelo mais fácil, mas não esquecer o que precisa transformar. Vendo coisas simples no seu lugar, não preciso mais me preocupar com elas: detalhes unidos formam o conjunto da importância.
Tudo no seu devido lugar, aprendi que nunca estará, mas uma coisa de cada vez surte efeito de força e, se a tempestade passar por aqui, a união fortalece e unidade resiste com mais poder.
Se eu consegui organizar palavras e formar frases, consequentemente parágrafos e, o melhor resultado, um texto, por mais simples que seja, o processo de sofisticação é outra etapa, pois os resultados visíveis já são bom sinal de que o senso de organização está presente. A vontade de pôr em ordem este lugar, o meu lugar - também em mim mesmo - é a vitalidade suficiente para estar bem onde estou.
Imagem: capturada de "Simples assim? Nem tanto!"





