
Do latim que me devora,
Não é flora, tão calma.
Me chama de rei,
Mas impera a floresta
Sobre todas as coisas;
Diz-se da fauna.
Alma que não se importe
com o que resta.
Imagem capturada da internet



“(…) mas há um investimento em transformar a expressão do olhar, tornando-o menos objetivo, mais confuso e perdido, mais delicado, quase inocente e indefeso.” Clarice Lispector
O termo eonismo é específica referência ao travestismo masculino. Travestir-se é adotar referências físicas e hábitos comuns ao do sexo oposto. Questões de gêneros sempre estão em evidência nas diversas plataformas da comunicação, seja pelo âmbito social – são vários os fatores, destacando-se a cidadania para evidenciá-los -, seja pelo contundência temática de sua estética que sempre requer um olhar diferenciado para algo que, por tantos, é visto como doença, anomalia ou qualquer outro substantivo pejorativo. O olhar do cineasta paraibano André da Costa Pinto foi no alvo certo da diferença supracitada, ao documentar a realidade de duas personagens reais que poderiam constar como mais uma dupla da vertente humorística ou penosa que a dramaturgia cinematográfica costumeiramente reproduz. Temas subversivos como o travestismo já ocuparam um longo rol nas produções audiovisuais por extensa data. Pode-se citar Andy Warhol, com seu Mário Banana, ou a produção australiana Priscilla - A Rainha do Deserto, cujo sucesso foi explosivo na década de 1990. As drag queens parecem ser ingrediente para polêmica e sucesso quando se queira levar à tona na ficção pessoas que, por qualquer de seus motivos, vistam-se da forma permissível tranquilamente ao sexo oposto. Tirando de cena a discussão do fetichismo, da necessidade eventual de uma mudança de padrão ou qualquer outro quebra banal da hegemonia, trataei aqui de um documentário curta-metragem que traz o relato da vida de dois travestis nordestinos que optaram pelo travestismo como identidade para o cotidiano, e cada qual com sua maneira de viver e sobreviver com essa relação de mudança de paradigma, para viver.
PINTO, André da Costa. Amanda e Monick. Documentário-DVD. Produção e direção de André da Costa Pinto. Brasil, 2007. 19 min, colorido, som. Disponível em http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=9475 acessado em 21 de novembro de 2010.
Imagem: capturada de Festival Brasil No Ar
Um homem fica na dúvida ao escolher o fruto que simboliza o pecado. Pecado é não escolher, é salivar de vontade e desprezar as opções numa cesta qualquer. Escolha uma, talvez a que aparenta maior beleza, a mais vermelha ou a mais próxima à sua posição. Distância, substância, apreensão ao que visualmente o atrai. O sabor é o mesmo, maçãs são elas mesmas e, propriedades à parte, é um alimento. 
