15 de dezembro de 2009

Nada Se Compara a Você



Você descobre que uma atitude banal sua, muito comum na prática de quem está apto aos prazeres os quais não duram mais que alguns minutos, pode consumir o resto do seu dia de tal forma a descarregar na consciência toneladas de arrependimento. Você tem duas opções: autossabota, para evitar arrepender-se depois ou acende o fósforo da libido e deixa queimar e, somente no check out, saber as despesas que arcará por um dia de gente normal.

Quando eu estive cara a cara com minha mais libidinosa rendição (testosterona devastadora de 'eternidades'), eu parei e avaliei o lugar comum, a pessoa comum, o ato comum; e mais do que uma simples música que me passou à cabeça, desejei uma Aria e só havia uma faixa Pop para embalar meus ouvidos. Eu surtei! Preferi o silêncio de casa, a solidão das paredes mudas e livros espalhados, clamando leitura necessária. Assim, fui escutar minha cantora favorita a fim de transformar metade do dia em algo que valesse mais do que qualquer partitura, se houvesse, em mim, talento para tal coisa fazer. Amo música, mas apenas sou um apreciador dela. Na minha humilde posição, orgulho -me de ser um bom ouvinte.

Então, fui matar saudade da irlandesa controversa, que há muito tempo não parava e viajava nas suas letras e melodias. Escutei Emma's Song, uma das minhas canções prediletas dela. No entanto, o mundo conheceu Sinéad O'Connor com o seu hit mais famoso, portanto decido aqui compartilhar: Nothing Compares To You.


O som me fez voltar à atividade doentia de pensar e pensar, e voltar, também, à idiotia de consagrar o infame saudosismo da sobriedade que um dia alguém pôde me oferecer, que deixou a marca maior dessas marcas que a gente leva como estampa de pele e alma. Eu tive novas oportunidades, mas só, por ora, deixe-me acreditar que, ainda, nada se compara a você, azeviche do meu passado carbonizado
.


14 de dezembro de 2009

Mutilação N°62

Primeiro, você mutilou meu braço, quando eu tinha lhe dado minha mão. Eu aprendi na falta de um membro, achando que diante de quem eu tinha, tão pouco seria ausente. Depois você quis meu pensamento e, de uma forma peculiar, possuiu-o de maneira que não me fazia mal não pensar em outra coisa. Então, vieram (da forma que foram) os ossos do ofício, e você adquiriu minha literatura ocasional. Assim, com o tempo, foram-se de mim, o átrio, o olfato, o paladar e meus olhos sombrios. Pude ver que só havia ganhado um sorriso, quando você fazia um gracejo ou passava a língua no meu pescoço. Muito pouco para o que você já havia tomado para si. E conservou tudo no frio do refrigerador: pedaços de mim. No dia em que a ausência de minhas partes gritou, chamando-me à integração, eu decidi largar tudo e buscar próteses. Nesta noite, você me liga se desculpando, devolvendo meus pertecences gélidos, mas eles não serão os mesmos quando forem implantados. Não há corpo retalhado que seja próximo ao original. Pode ficar com os meus pedaços, repartidos, pois isso é tudo o que você conseguiu, mas nada, agora, para mim. Pegue a minha escova de dentes e jogue no lixo. Meus sorrisos emergem de uma outra fonte, meus dentes me pertence e eu ainda posso sorrir.

13 de dezembro de 2009

Quando a tempestade cansa


A natureza tem poderes sobrenaturais? Duvido. Tudo é o perfeito estado de harmonia. Nada de graça ou paranormalidade. Ciclos se completam. E só.

Um dia desses me meti numa tempestade daquelas, para desafiar a minha incubência de ser humano diante de força maior ou talvez força alterada diante da minha força inalterada a essas coisas de bater, chacoalhar e sangrar: meu coração continua o mesmo, se bem que minhas mãos estão frias...

Eu toquei, para sentir a temperatura de corpo estranho; eu precisava de calor, ainda quando pensava que a frieza era necessária. Senti a caleifação dos rumores. Então, percebi a tempestade soprando ar quente, uma ventania diferente e uns pingos de chuva. Eu nunca mais tive frio durante uma turbulência que me sacudia para direções, tão velozmente...

Quando eu estava completamente molhado, eu ria. E o calor se espalhava no meu corpo e eu me sentia em brasas, quase liberando vapores como um bule com seu café, fervendo.

Quando eu estava completamente seco, eu chorava. A secura que invadia minha alma fazia doer os ossos, os nervos e o passível de controvérsia, espírito desencarnado.

Caminhei com pouco intervalo de calmaria. Quase sempre choveu esses dias, com raios e ventos fortes, devastação de plano para noite, ainda no meio da tarde. Não era bom fazer planos confiando na meteorologia. O mau tempo vinha e acabava tudo. Eu desafiei as previsões e nada poderia sucumbir meus planos. Comprei um guarda-chuva resistente, uma capa impermeável e me meti dentro da tempestade, caminhando até o dia em que eu cansei de enfrentá-la. No fundo, os radares já previam.


Imagem: extremeinstability.com


11 de dezembro de 2009

Você precisa de mim?


E você sabe de que eu preciso? Eu respondo:

Eu preciso da sua falta de vergonha em assumir seus guetos às guilhotinas, para que elas partam a vida e separem o meu lado bom do meu outro lado.
Eu preciso do tiro que você dá, para aniquilar desumanos e que eles levem consigo o resto da soberba que lhes faltam para se sentirem vivos.
Eu preciso das baratas que festejam às migalhas quando você esquece a vida, e das traças que roem suas vestes, porque pouco valor você lhes dá, e elas podem me fazer acreditar em hábitat.
Eu preciso de cada gole que você engole e que todo ele me dê ânsia de vômito e eu despeje em qualquer lugar toda essa sujeira que a vida me fez beber.
Eu preciso da sua insanidade para que, às vezes, eu me sinta desentendido da realidade.
Eu preciso de cada centavo que você desperdiça em prazeres colossais em quinze segundos, para que seja eterno cada quarto de minuto que eu conto no relógio da estupidez.
Eu preciso das mazelas que você transborda no happy hour do esquecimento de quatro por cento de suas vendas, porque percentual algum já é totalidade para quando eu deseje implodir o dia inteiro, alguns dias.
Eu preciso do seu ronco para perturbar os apáticos e vê se neles provoco alguma reação adversa.
Eu preciso da desorganização da sua vida além-labor porque, certamente, há horas que preciso ver as coisas espalhadas sem ordem, no anseio anarquista.
Eu preciso da sua reabilitação para que um dia eu saiba que para trás ficaram imposições do status quo (não desmerecendo a importância).
Eu preciso mais de mim do que o pouco que você teve, e que julga precisar. Só não preciso parar o tempo e esquecer de meu propósito, porque você não tem tempo preciso para se reabilitar e perceber o que precisou era pouco e se acabou.

Imagem capturada de http://sercristaoemaravilhoso.files.wordpress.com/2009/06/forca1.jpg

28 de novembro de 2009

O desenhador de luz

À penumbra,
Quando não estou com você, a melhor parte é o sono:
Sonhos permitem companhia da vida que, hoje, faz-me falta.


Imagem: capturada de http://curtas.blogs.sapo.pt/arquivo/lights_out2.jpg

Desafio Complexo (do literal e do figurado)

Desde que conheci o Pensamento Complexo, apresentado por orientação da Professora Dra. Sônia Cândido (in memorian), na minha graduação em Comunicação Social, jamais pude ver a vida e as coisas de maneira indissociável ou unidiciplinar. O que parecia apenas uma teoria científica, a qual beira ao abstracionismo, logo deu melhor sentido a todas as pós-percepções e interpretações sobre este mundão. Ó, complexidade divina, entrelaçando correntes a fim de me fazer tão mútuo e compartilhado: multicoisas!

Eu vim de longe com projetos e ideias arraigadas de superfície de tantas vias. Eu vim, com um diploma que não jus faz um vinte avos do que aprendi, com minha formação profissional com cobertura de pessoalidade e floquinhos de espírito passional.

As redes


Grande mãe, assessora e comparsa do meu sonho. Pai , patrocinador de meus interesses sociais, tios assistentes de impulso ou crítica (a mais): são redes emaranhadas da rede que o Jordão não viu, ainda. Assim, dessas redes associadas à minha ludicidade e sereno caos, parti. Na terra, que não é promessa, alguns peixes, confluindo outras teorias e práticas, encontrei os doutores Emerson Inácio e Mário Lugarinho, os quais me colaboraram com outras redes, fios, matéria-prima poética e prosa e conversa e papo-fora. Aprendi mais e entrelacei mais linhas horizontais, verticais, diagonais... E meu primo Nélio, de pouca companhia, porém compreensão imensurável e dedicação ainda que por telefone, porque lhe falta tempo. Enfim... Guilherme Prado para me escutar e amar, insistindo que é hora de não retroceder porque, em si, há centelha de querer que eu fique também. Pessoas diferenciadas, não melhores que outras, que são parte desse emaranhado complexo de mudança de paradigmas, coisas tantas, que eu vejo com um olhar menos estreito e o viés de um tecido composto por mãos, sonhos, beijos, saudades, apoio e desejo de mim (nao só meu), que vem de outros e me faz mais espitemológico do que eu imaginava.

Agradecimento

A quem devo agradecer? A Edgar Morin, lógico, porque me fez perceber que, ainda nas dificuldades de hoje, o homem que cresceu é a associação de outros homens e mulheres, um todo de muitas partes, metonímia vital. Aos outros, um beijo, minha vida e a adesão de todos os prêmios que nunca serão só meu, caso eu ganhe em meu nome.

Desafio constante

Agora uma novo tema complexo: bem-vindo e maldito-o-tempo-que-aqui-faz e permanecer na andança contra correntes e com todo favor de todos.

Preciso desafiar mais a mim mesmo e quebrar as inabilidades, com um pouco mais de dedicação, ainda confiante na minha competência, que já me rendeu degraus subidos. Preciso ainda ver a ruína de moral, ceder ao anarquismo e continuar furtando sinal sem fio para poder saber um pouco mais do mundo, porque me faltam alguns recursos para ficar no páreo. É preciso tanto, como é preciso muito navegar (ambíguo)...


Um dia desses, quem sabe, eu escreva de uma wi-fi zone, por puro marketing, para fazer o meu, aqui; para poder desabafar, (de novo?); ou para poder, oxalá, dizer (na onda exibicionista, sensacionalista, do Twitter): - tomo um café, ainda que não goste, na companhia do Sr. Morin! Au revoir!


Imagem: Calabi-Yau, capturado no Wikepedia

26 de novembro de 2009

15 de novembro de 2009

Saudade de Casa

Hoje deu saudade da terra natal. Fim de semana um pouco tenso por conta do concurso em São José dos Campos (fui lá ontem e retornei no mesmo dia): um calor tremento estava. Domingo quente também em Campinas.

Domingo + Calor + Leitura de Blog = Lembrança de Maceió

Esta equação nostálgica teve resultado positivo na mente, quando , ao visitar o blog As Incríveis Aventuras de Pepão e Beta, deparo-me com bela imagem do pôr-do-sol de Pajuçara - bairro onde moraram meus avós por muito tempo e onde morei na infância. Uma época que eu era até mais bronzeadinho... Saudades de casa!


Foto: Pepão

13 de novembro de 2009

Outro

Disseram que vim do pó,
Que sumiria como poeira,
Tamanha a insignificância.
Depois me disseram que ser feliz
É impossível, sozinho.
Dessa vez me reduziram à metade.
Tudo bem...
Fui esse aí!

Mas não posso negar:
O amor me deixa outro.

Imagem: A.G.

2 de novembro de 2009

Ponto Cardeal

Neste lar de graça e revitalização, eu me encontrei com meses passados, através da janela onde eu ia e olhava o norte. Ali, foram-se muitas lágrimas e vinha agonia; o ar da rua que entrava para eu respirar um pouco de fora: sentir que estava vivo, coração batendo. Eu via o sol nascer para todos, mas ele não era meu, só não era meu. Agora, o quanto de mim está mais ao sul? Ao norte, apenas a paisagem que não vejo há um bom tempo. Há pedacinhos de mim em cada ponto cardeal.

"Não posso mais perder meu caminho. A leste, aqui, é o mar."

Imagem: capturada de http://rainbowsky.blogs.sapo.pt/arquivo/alone%5B1%5D-thumb.JPG