23 de março de 2010

Verbete rasgado (dedicado às 'santinhas')

É pandemia.
O tesão colérico na veia de todo mundo.
Lava-se no banho e continua imundo,
Sem tratar as feridas genitais.

Dizem da pureza da santa;
"Melhor ser filho da outra"
Que sangra vida solta,
Escorre, lava, sara e transmuta;
Bombeia a cólera e concentra no ponto,
Um corte que rasga puta.

Vacinam o homem indelével,
Esboço de varão, com orgulho.
Leva em si o âmago na ponta da agulha.
Fura o rastro canino de uma só fagulha
De fogo e cólera, a incendiar vaidade.

Ele coça a coceira dela.
Ela se coça com a mão de pecado
Eu fico aqui todo suado,
Esperando o leite a ser derramado.
E a peste ronda e assola como febre amarela.

Então quem crava dentes no meu peito?
Quem arranca o pelo, como se tivesse fome?
O cão que atenta é o mesmo que consome.
A face santa cai, ao cio da banguela.
Em terra de brocha, quando se enrijece cacete...
Quem seria a rainha cadela?

21 de março de 2010

Falta

Esse vento que entra pela janela não traz a realidade;
Eu penso o quanto de misericórdia eu tenho de mim mesmo.
Eu não sei quanto de misericórdia eu preciso para mim.

A misericórdia não me trouxe a realidade que nunca chega:
A biografia que, há muito, quero ler;
A pessoa interessante que eu preciso me interessar;
Terminar o que comecei e começar o que nem sei.

Sair dos pontos sem privilégio que vou nos dias de tédio;
Como opção, tratar o que não necessita ser prioridade;
Priorizar o caminho ao encontro da formação crítica.
Eu penso o quanto de criticidade eu preciso abandonar
A respeito desses homens que é preciso ignorar.

Guardar firme no bolso o que não é troco e o que é;
Firmar compromisso com minha meta social;
Olhar de relance o que há de banal;
E derramar um pouco de leite num copo de café.

Esquecer os telefones constantes na lista de chamada;
Deixar o papo de misericórdia e dá, à vida, outra penitência;
Fechar a janela na ventania e ligar para o que importa;
Tornar mais cedo o começo do dia e, ao abrir a porta,
Sair em busca: as sobras de casa não suprem ausência.

Imagem capturada de Edgewater Technology Weblog

12 de março de 2010

O muro perfeito para a incerteza

Entre a desconfiança e a certeza há uma lacuna onde a cogitação habita. Um habitat inóspito sobre o alicerce da conjectura. Suas vigas de possibilidades não sustentam confiavelmente o telhado de vidro que cobre de probabilidade os relativos [in]cômodos.
Eu entrei neste lugar sem mínima atração de moradia. Apenas pude constatar um habitante: há uma curiosa figura que possui duas faces, mas ainda não sei, ao certo, qual é a verdadeira e qual é a fantasia.
Passou algum tempo e eu também abri as portas da minha habitação. Convidei a incerteza para entrar, a fim de que ela pudesse confirmar, em face às suas dúvidas e, quem sabe, projetar-se no meu exemplo simplório - no entanto pleno de veracidade - e mudar sua atitude de indecisão, até que a máscara caísse e eu pudesse ver seu semblante real. Ainda não ocorreu...
Um outro tempo se passou e não vejo a tal incerteza. Ela não deu às caras por aqui, nem como, de praxe, após seus momentos prioritários para, assim, após o deleite em sua preterição, na condição coadjuvante que me faz parecer esperando por ela, gozarmos de horas afins. Gozo do qual ela necessita fortuitamente para que, talvez, decida de qual lado do muro que a suspende, pondo-a no patamar da abstenção, ela caia, pendendo, e se faça menos onerosa do que a contradição dos seus olhos que dissimulam.
Entre a desconfiança e a certeza há, ainda, a lacuna onde a cogitação habita, onerosa, avessa, descomprometida, no centro de sua atenção sobre si mesma. Lugar comum que ela fica e eu não consigo alcançar. Eu, do lado de cá, não posso tê-la à participação nos cálculos, nas teorias, nas comprovações. Ela, naquele lugar, à vontade fica para ter apenas, como bônus, uma comprovação em sua vida, diante dos meus olhos, antes à ela atentos: seu próximo passo é mais inseguro do que a falta de confiança em mim depositada; seu próximo passo, sem garantias de estabilidade, será em falso.
Em cima do muro, é o lugar perfeito para quem quer permanecer incerto.

8 de março de 2010

Colecionadores de nós

A Natureza dá o curso da vida, e nós, espécie humana, somos parte dela. Fazendo a hora, sem esperar muito acontecer, podemos intervir no destino e direcioná-lo aonde quer que queiramos chegar. Muito tenho escutado sobre os relacionamentos. Isso vem de amigos, de pessoas recém-conhecidas, numa mesa de bar, numa conversa informal no meio do mercado ou em qualquer lugar sem devida importância para o assunto, porque as relações humanas são conexas e não definem lugar correlato. Em todos eles, há sempre o que conversar sobre diversos assuntos, mas o que é contante diz respeito à afetividade. Pessoas se incomodam e se queixam das casualidades, querem sempre algo substancial para não ficar como uma mera ironia do destino ou incidente sem significado para o todo. Reclamam da fugacidade dos atos e são parte desses. Na verdade, a maioria não consegue admitir que, sozinho(a), logra a completude.
Neste fim de semana, alguém se queixava, a mim, das decepções, de manter um contato por algumas horas, certo dia, e no próximo encontro, coincidente, sequer ritualizar um cumprimento. “Vira até a cara”, reclamava o interlocutor. E onde vão dar os laços construídos em instantes de prazer, que não se eternizam, mas entram, sendo assim, no curso da vida? Eu diria que ali vejo apenas um nó, dentre tantos, e não laço. Somos colecionadores de nós. Não de gente, senão nós de fio, fita ou objeto linear, como, de costume preguiçoso que fazemos da vida ,coletânea de linearidade.
Eu, mesmo, tenho nós desatados, nós entalados, nós perdidos, esquecidos ou desapercebidos. Sobrepondo o eu, egocêntrico, egoísta, ou à parte de uma construção coletiva, somos responsáveis pelas sequências de nós que, colecionadas, incumbem-nos na função de colecionadores, curadores e divulgadores do nó cego de cada dia.
Há sempre uma desculpa para que queiramos afastar de nós a responsabilidade de desatar nós ou incinerá-los e construirmos laços mais firmes, reais, em vez de ficarmos nos queixando da solidão, da falta de companhia para qualquer momento, dos negligentes minutos onde sequer temos um olhar ou um ouvido atento, a fim de acompanhar um suspiro, um sussurro ou um grito. Escuto as mais variadas desculpas neste curso que transito, “enquanto não resolver questões profissionais, não há como pensar em ter com alguém”, “quem eu quero não me quer, quem me quer não desejo”, “minha vida deu uma guinada (...) aconteceram tantas coisas”, para dizer que não há vaga para mais um no carrinho da montanha russa emocional. E no fim das contas, ele(a) está só. Sobrepõe questões, que poderiam se desenvolver concomitantemente, sob a desculpa de que depois de resolvidas é chegado o momento para o olhar intencional ao outro.
Enquanto este momento não chega, é a hora da diversão, do conhecer pouco a pouco - nada mais é que outra desculpa para não estar sozinho e não se sentir responsável por aquilo que cativa. Então lembro duma canção de Chico Buarque onde, como eu, não quero me retocar no salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas. Assim, diplomaticamente, tenho de escutar a mágoa, sob o discurso da queixa, da desculpa, da descrença no outro, da prioridade 'minha,' etc., confirmando que recalque de beleza e prazer é fungo brabo no couro cabeludo de muita gente.

Imagem capturada de http://ninguemle.org/tag/nos/

6 de março de 2010

A Semana

Toda segunda-feira é quase a mesma coisa:
Um intuito de qualidade de vida;
O início de uma dieta quase sempre fracassada;
O dia chato para programar uma saída noturna,
Despretensiosa, a fim de mudar o clima.

Então chega o dia após o dia chato
Terça-feira para começar a aula de francês
Ou uma atividade cultural
Distribuída entre os dias de hoje
E dois dias após a primeira aula semanal.

Quarta-feira de programação entediante
Desde a programação da TV aberta
Até os avisos da previsão do tempo;
Esses não parecem preverem completamente
A ingratidão sísmica dos dias brancos.

Levantar-se numa quinta-feira,
Abrir uma janela que isola o mundo
De um quarto apagado;
Deixar o sol entrar e pensar:
Hoje é o último dia de preços em conta no cinema
Até o início da próxima semana.
Ver a vida como um filme habitual.

Das oito às dezoito horas, afinal,
Tudo pode parecer normal.
De longe.
É o dia da sexta-feira brasileira,
Dos goles sem compromisso
E do calendário laboral cumprido.

Há gente que guarda o sábado porque divino é.
Há gente que acorda mais tarde e faz noites demoníacas.
Há mais de milhares de anos, há os que creem
Que é o último dia de trabalho de Deus na sua criação.
Dia das incertezas; dia da fé de cada um.

Manhãs mais brandas; noites periféricas,
Centrais de ócio e deleite de finalização.
Descanso, enfim, aos moldes da cultura mundial.
São contáveis, em sete, para história
O pouco, quase nada, dias banais.
Como incomodar e, sutilmente, fazer falar
Os desgraçados silêncios dominicais?

24 de fevereiro de 2010

O amor é importante, porra!

Estava pensando a respeito de nunca ter escrito sobre o amor, explicitamente. Nunca fiz um texto, anteriormente, que levasse o título com a palavra amor, que eu dedicasse ao substantivo, também, a totalidade das minhas linhas... então cheguei à conclusão de que o fato de não ter escrito, explicitamente, sobre ele não é outro motivo senão o temor de cair no argumento clichê, derramar adjetivos piegas e terminar o texto com a ideia de que o amor é importante.
Pois eu vou de encontro ao meu receio de cair na mesmice e deixar o amor protagonizar escancarado, sem a maquilagem de afluentes nem a coadjuvância que o abafa, mas no frigir dos ovos, o amor centraliza como a gema amarela no meio de sua clara desbotada, sem graça.
Acho que se eu não amasse nada talvez nem conseguisse ver motivo algum para poder deixar as pernas rentes e erguidas e, de pé, permanecer encarando a vida como quem a desafia, heroicamente.
Tem outra coisa importante que eu preciso dizer do amor, além dessa coisa de achar que ele é instrumento vital, arma, gole de água, entorpecente, página de livro, livro todo, tudo. Preciso dizer que o amor é nada. Sim, ele é nada, quando permito que o seja, porque tamanha é sua importância que quando eu não queira mais absorver a energia que flui entre mim e o meio, que me conecta à necessidade de amar, há, então, um espécie de tomada ligada a um interruptor, a qual eu puxaria e desligaria o amor. Ele ficaria apagadinho; o breu tomaria conta da situação. E digo que não há, somente, uma dessas conexões, na vida toda. São muitas, como essas que estão espalhadas em nossas casas, em cada pavimento, que nós ligamos e desligamos, quando bem quisermos (exceto nos casos de acidente). Eu posso confessar que eu já desliguei várias delas. Na verdade, melhor dizendo, eu lacrei a conexão; e hoje há ambientes interditados, onde o amor não ilumina canto algum.
No entanto, eu já disse que estou aqui para falar do amor; assim, não vou ficar perdendo tempo para falar de ele não mais existir.
Ah, tenho mais uma confissão: nunca vou conseguir falar do amor sem ser piegas... eu até tentei.
Nunca vou deixar de cair na mesmice que se fala do amor, na praxe de suas qualidades, porque ele é unânime ainda que em casos de desconexão. É impossível, também, não terminar a minha frustração de querer falar algo novo do amor, porque ele é retrô e usual.
Não me frustro ainda mais porque apesar de não ter conseguido falar algo absolutamente novo, eu sei e quero dar o recado mais redundante que conheço: o amor é importante, porra!

Imagem capturada de http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/foto/0,,16199533-EX,00.jpg

23 de fevereiro de 2010

A jovem senhora de Itabuna

Fazia nove anos que ela não pisava na terra de seus sonhos, desde que deixou o Estado de São Paulo e deu novo rumo à sua vida na Bahia.
Quase uma década passou, e lá estava ela, novamente, em solo que ela deposita seus sonhos. Desta vez, a jovem senhora trazia seus três filhos, de olhos arregalados da genética e favorecimento da surpresa, para um recomeço e perspectiva melhores.
Sozinha, mas acompanhada do tríplice futuro de baixas estaturas, ela não sonhava tão alto além da Serra de Itapecirica, para conhecer a central de distribuição da empresa de grande porte para qual ela revende cosméticos, a fim fomentar o quimérico e não tão incomum destino de sobrevivência de uma mãe e sua cria.
A quem é cabível o sonho? São milhões iguais a ela a crer na promessa embutida no histórico status de território acolhedor dos migrantes que esperam um pouco mais da vida além daquilo que se tem. Ninguém iria eliminar seu intuito nem importunar seu objetivo. Entretanto, seus olhos marejados pelo desespero, desnorteamento e medo me incomodavam, parecendo que ela não sabia onde ir exatamente. “Eu vou ficar este ano em São José do Rio Preto e no fim do ano venho para Campinas”, profetizava a serva cristã – perceptível pelos vocativos santos que entre vírgulas ela clamava, constantemente. O Senhor do Bonfim poderia abençoar a outra metade de sua vida para que seu fim possa ser, de fato, bom? Três bençãos já a acompanhavam aos trinta e um anos de idade, naquele momento, na Rodovia dos Bandeirantes. Dali por diante, só a rodoviária a poucos metros de vista e o outro trajeto que o Oeste testemunharia.
A jovem senhora de Itabuna, do corpo esguio e do desespero preocupante, talvez seja uma pauta para uma mente sem criatividade, há tempos desmotivada a redigir. Talvez ela seja tema de um poema porvir – que talvez nem inspire sequer um verso. De fato, ela foi uma tragédia para achar graça da minha vida.

Imagem capturada de http://www.mototour.com.br/vector/roteiros/mapas/mapa_707.jpg

19 de fevereiro de 2010

Vida Que Voa

Todo meu rosto despenca fibra por fibra;
Óptica perdida, fora de foco.
Inócuo, eu, molhado, anormal de pingos,
Não sei bem para onde olhar.
E há sempre um contraponto,
Quando me engano da forma mais ingênua...
É lento o bastante tempo que conto.

Apago o mundo, que me resta, em caracteres:
Apagado.
Depois disso, um lapso no tempo.
Um intento alheio de boa vontade,
Porém a verdade é que eu insisto.
Depois disso, eu canso, e o vento
Leva toda a louca insistência.
Então, vem a curva; ela volta.

Eu sangro muito sangue de pingos;
Goteja o tempo de contrapontos...
Ai, curva que leva amargura, some de foco!
Porém a verdade é que acabo insistindo
E sigo a caminho da fibra bandida,
Que um dia eu deixei por conta das horas.
Porém, só a minha vontade é boa
Porque a verdade que, pra mim, mente,
Pelo lapso, parece que voa.

Eu estanco pingos ao meio-dia.
Não vaza um milímetro cúbico de dor à luz solar.
Porém, a verdade que é minha e boa,
Mais ingênua que o enfoque,
Que volta na curva que a vida voa
Para reabilitar a fibra, via vento,
Que despenca no meu rosto sangrento.

Onde o vento faz a curva?
Lá, vou eu criar uma muralha imensa.
Muro das lamentações e crença.
Assim, em aprumo, fechar os olhos e crer
Que perene é o olhar no foco:
Contraponto do rio de lágrimas que corre à toa.
E secará no tempo em pedaços miúdos
A dissipar esta vida que voa.


Imagem capturada de http://downloads.open4group.com/wallpapers/estrada-curva-a2311.jpg

18 de fevereiro de 2010

Dura Lex Sed Lex

Uma pessoa não deveria sumir impunemente da vida da outra.
A justiça poderia ser mais contundente a um crime inafiançável, justamente pelo fato de abrirmos o espaço do pensamento, e darmos todo direito de ir e vir, quando alguém decide sumir e não ter a mínima pena a cumprir no cárcere da memória.
A quem cabe o pensamento contínuo, o sonho fortuito e o cumprimento das leis gravitacionais da lembrança em altos e baixos, teria a incumbência de ajuizar e punir da forma conveniente.
Como juiz, a pessoa eleita haveria de aplicar a pena ao réu que, pelo descumprimento da ordem memorável ou pelo abandono ilegal de atividade contínua de bem-querer e demonstração uniforme de permanência e apreço.
O réu poderia ir, também, ao júri popular. Absolutamente o tempo, que sempre esteve presente para presenciar cada atitude no cotidiano decidiria a punição. O tempo poderia dialogar com o juiz no fim do julgamento, em casos especiais, tal qual a extraterritorialidade. No entanto, como sempre, o tempo seria o senhor da razão, teria voz suprema.
Se o tempo, despercebido, não comparecesse ao tribunal, pelo tardar em se fazer justiça, seria o juiz quem decidiria, sozinho, a sanção, a pena ou a condenação.
Nas três hipóteses, cada uma seria correlata ao tempo de permanência e à forma de ausência. A saber:

- Sanção por dias ausentes na vida vitimada: pena branda, pagamento com serviços comunitários a ajudar na procura de desaparecidos;

- Abandono parcial, a longo prazo, na vida vitimada: pena moderada, reclusão noturna no pensamento inverso, entre três a quatro anos de solidão (em caso de réu primário, cumprimento em domicílio);

- Ausência total de espaço cativo: pena grave, com agravante de crime qualificado e motivo torpe, cabendo-lhe, assim, prisão perpétua, encarcerado entre paredes da indiferença.

Depois de condenado, com trânsito em julgado, o réu jamais poderia recorrer da sentença. Ainda assim, qualquer pena aplicada não condiz com a forma cruel de dilacerar um coração e persistir na memória da vida vitimada.

16 de fevereiro de 2010

Descompasso


Não tenho dúvidas de que este é um dos piores Carnavais da minha vida. Não há fantasia, atualmente, que me atraia, embora me resta, por ora, encarar o imaginário e, dele, fazer avenida ideal para desfilar meus sorrisos mascarados.
Quando chegar a quarta-feira, que antes eu cantava, conferindo-lhe qualidade de 'ingrata', agradecerei a tão esperado dia; e ela seria gratíssima.
Fora isso, tem a saudade momesca de um tempo onde eu sorria no compasso. Infelizmente - distante do frevo - só posso sentir a lembrança fiel aos meus passos que retrocederam em pensamento.
E fica, apenas, no meu peito, sentimento de um salão vazio, sem qualquer folião.