18 de dezembro de 2009

Embora passem os anos, o dia fica.

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A uma semana do meu aniversário, a ideia de celebração tem me causado certo constrangimento. O tempo passou e já conto dezenas de fios brancos entre meus espessos fios de tonalidades castanhas. Não é como apontar o tempo e caminhar até à velhice, eu não sei se me preocupo com ela, mas preciso relativizar a mudança de uma casa decimal que se aproxima numa velocidade que não parece assimilar o padrão. Meu tempo é instável, não conto o dia que se acaba pela sua vigésima quarta hora, dando oportunidade ao diferente, inovador ou caído na mesmice. No entanto, confesso: não gosto dos cabelos brancos que vieram com toda força que brota na raíz e denunciam as preocupações pelas quais passei, impiedosamente.

No ápice da minha ansiedade anual, tenho uma semana para saber o que devo festejar. Além de que, muitos estarão celebrando os dois mil e nove anos do nascimento de Cristo e, a mim, não cabe a ousadia de dividir atenções distintas. Um país predominantemente cristão, de referências apostólicas da igreja romana, vê na celebração católica o nascimento da salvação de pobres almas, e eu pego carona nesse motim. Deus, se lê este blog, nunca deixou um comentário, mas sabe que eu preciso comemorar algumas boas novas. Ele também sabe que eu sou fã de cerveja gelada (hoje pouco menos que há alguns meses) e devo celebrar minha nova idade com algumas unidades dela.

A oportunidade de estar diante da mais bonita escultura em homenagem ao Cristo que, certamente, estará de braços abertos, novamente e sempre, a me receber em sua casa (dentre tantos outros templos), é o perfeito cenário para eu viver um dia festivo de alma lavada pelo sangue misericordioso do cordeiro. E o pecado não será isento neste dia, então, como bom cristão, educado por mãe religiosa e, por ter sido estudante marista, sei o peso da devoção e desejo ser perdoado neste dia. A carne é fraca, e esse é o discurso de todo homem que se dá folga da vida eremita.

Ao pai celestial, minha confissão de sobreaviso: perdoe-me, pois vou ao Rio de Janeiro. Lembrarei-me dos dias do ano em que fui carregado nos braços, porque sofria, sem poder andar. Lembrarei-me também da beleza da vida e de mais um ano que completo entre os semelhantes que, muitas vezes, desconheço. Verei os braços abertos de seu filho e terei consciência da grandiosidade desta minha existência. No entanto, meu bom Deus, dificilmente hesitarei ao convite das libidinosas ruas da Lapa; talvez ceda à concupiscência cínica do sotaque carioca e me entregue a mais um dia mundano. Guarda a minha vida e meus vinte poucos anos!



*Dedico esse texto ao meu amigo Dr. Emerson Inácio

2 comentários:

  1. Vai tranquilo, que ele há de guardá-lo! Acho que o próprio redentor, de braços abertos, também se diverte e muito com a nossa pouca intimidade com ele. Amei teu texto... Me fez pensar no "Meu" tempo, tão instável quanto o teu, no entanto, O que há Deus de guardar em mim ou de mim, ou até mesmo para ele e para os que me amam, são meus trinta e muitos anos!
    Você chega lá! Beijos e vê se aparece!

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  2. Olá bem vindo
    ao meu DIário ...

    Tô na poltrona por em quanto,
    mas a casa parece confortável.

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